M▪MOVENDOBRASILPARA QUEM MOVE O PAÍS
Combustíveis

Diesel S10 x S500: S500 cai para 27% das vendas

A ANP informou em 17 de setembro que o diesel S500 respondeu por 27,2% das vendas de diesel rodoviário no primeiro semestre de 2026, 1,8 ponto abaixo de um ano antes. A agência acompanha a troca pelo S10 região por região, sem data para acabar com o S500.

Caminhão-tanque verde em uma estrada
Caminhão-tanque: o S500 ainda responde por pouco mais de um quarto do diesel vendido, com mais presença no Norte. Foto: Maciej Kaliszewski / Unsplash

O caso: um frotista com seis caminhões, dois deles anteriores a 2012, abastece toda a frota com S10 por comodidade. Ele quer saber se ainda faz sentido usar S500 nos mais antigos, se o produto vai acabar e quanto a escolha muda no mês.

Resposta curta: a ANP não fixou data para o fim do S500. Optou, em 2025, por monitorar a substituição natural, e o S500 caiu para 27,2% das vendas no primeiro semestre de 2026. Para os caminhões antigos, a escolha é de preço: a cada 10 centavos de diferença por litro entre S10 e S500, uma carreta que roda 10 mil km a 2,5 km/l gasta R$ 400 a mais por mês com S10. Os caminhões a partir de 2012 devem usar S10.

O que a ANP divulgou

Em 17 de setembro de 2026, a ANP publicou o balanço semestral da participação do S500. De janeiro a junho, foram vendidos 9,02 milhões de m³ de S500 no país, 5,1% menos que no mesmo período de 2025. A fatia do S500 no total de S10 e S500 ficou em 27,2%, 1,8 ponto percentual abaixo de um ano antes, e caiu em todas as regiões.

Indicador 1º sem. 2025 1º sem. 2026
Vendas de S500 (milhões de m³) 9,50 (calculado) 9,02
Participação do S500 no total S10 + S500 29,0% (calculado) 27,2%
Vendas totais de S10 + S500 (milhões de m³) – 33,2 (calculado)
Vendas de S10 (milhões de m³) – 24,1 (calculado)

Os valores marcados como calculados saem das variações informadas pela ANP; a agência só publicou os números regionais em infográfico.

A agência explica a queda pela renovação da frota de caminhões e ônibus, pelos investimentos em refino que ampliaram a produção de diesel com menos enxofre e pela agenda de qualidade do ar: menos enxofre significa menos dióxido de enxofre, poluente associado à chuva ácida.

1º sem. 202529,0%1º sem. 202627,2%
Figura 1. Participação do diesel S500 nas vendas de S10 e S500, primeiro semestre. O dado de 2025 foi calculado a partir da queda de 1,8 ponto informada pela ANP em 17/09/2026.

Por que não há data para acabar com o S500

A Resolução ANP nº 968/2024, que trata das especificações do S10 e do S500, mandou a agência elaborar com o mercado um plano e um cronograma para descontinuar o S500 e o S1800. Um grupo técnico ouviu refinarias, produtores, distribuidoras, revendedores e fabricantes de motores. Em 5 de setembro de 2025, a diretoria decidiu não marcar prazo: concluiu que um fim programado do S500 aceleraria os ganhos ambientais, mas poderia elevar o preço final e aumentar a dependência de importação. Em vez disso, a ANP passou a acompanhar indicadores regionais e a publicar os dados a cada semestre.

Naquele estudo, o S10 respondia por quase 70% do consumo, o S500 por cerca de 30%, com presença maior no Norte e em áreas remotas, e o S1800 tinha fatia residual, abaixo de 0,2%. O dado de 2026 mostra a substituição em curso, sem ruptura.

Para quem roda, a decisão tem dois lados. O lado bom: quem tem caminhão antigo continua encontrando S500, em geral mais barato, sem prazo de validade imposto pela regulação. O lado de atenção: como a queda é gradual e desigual, o motorista de caminhão novo que faz rotas longas no Norte ou no interior precisa planejar onde vai achar S10, porque a oferta do produto de baixo enxofre ainda não é uniforme. A ANP promete continuar publicando o balanço a cada seis meses, e a próxima edição, com o segundo semestre, deve mostrar se o ritmo de 1,8 ponto por ano se mantém.

Refinaria iluminada à noite com torres e chaminés
Figura 2. Refinaria à noite: investimentos em hidrotratamento ampliaram a oferta de diesel com baixo teor de enxofre. Foto: Maksym Kaharlytskyi / Unsplash

Quanto a escolha pesa na conta

A síntese semanal da ANP que usamos traz o S10 (R$ 7,35 na média nacional de 27/09 a 03/10), mas não o S500. A diferença entre os dois muda de posto para posto, por isso a tabela usa diferenças de exemplo de 5 a 15 centavos por litro, para uma carreta a 2,5 km/l:

Diferença S10 − S500 (exemplo) Viagem de 1.000 km (400 l) Mês com 10 mil km (4.000 l) Ano
R$ 0,05 R$ 20,00 R$ 200 R$ 2.400
R$ 0,10 R$ 40,00 R$ 400 R$ 4.800
R$ 0,15 R$ 60,00 R$ 600 R$ 7.200

Antes de trocar, porém, vale medir o consumo. Se o caminhão antigo rodar com S10 só 2% mais por litro, por exemplo de 2,50 para 2,55 km/l, os 4.000 litros do mês caem para 3.922, uma economia de 78 litros, ou R$ 576 a R$ 7,35, que anula boa parte de uma diferença de 10 centavos. O único jeito de saber é anotar tanque cheio a tanque cheio com cada combustível.

02004006008001.000048121620Diferença de preço S10 − S500 (centavos por litro)R$ por mêsCusto extra do S10 por mês
Figura 3. Quanto custa usar S10 em vez de S500 numa carreta que consome 4.000 litros por mês, conforme a diferença de preço. Valores de exemplo.

Checklist para frota mista

Perguntas frequentes

O diesel S500 vai acabar?

Não há data. Em 2025 a ANP decidiu monitorar a substituição pelo S10 e publicar dados por região a cada semestre, em vez de impor um cronograma.

Quanto S500 foi vendido em 2026?

9,02 milhões de m³ de janeiro a junho, 5,1% menos que no primeiro semestre de 2025.

Qual a participação do S500 hoje?

27,2% das vendas de S10 e S500 no primeiro semestre de 2026, segundo a ANP.

Posso usar S10 em caminhão antigo?

Pode. A escolha é econômica: a cada 10 centavos de diferença, são R$ 40,00 a mais por 1.000 km numa carreta a 2,5 km/l.

E o S1800?

Tinha participação residual, abaixo de 0,2%, e a ANP espera que desapareça ainda mais rápido.

Para comparar o rendimento do seu caminhão com S10 e com S500, registre cada tanque cheio na calculadora de consumo de diesel.

Faça a conta: Consumo de diesel →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

Leia também