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Combustíveis

Fiscalização da ANP em postos: o que checar na bomba

Os balanços semanais da ANP de 2 e 9 de outubro mostram postos autuados e interditados em vários estados e 54.520 litros de combustível apreendidos em Caxias do Sul. Explicamos o que a fiscalização olha, o que mudou na cobrança de preço abusivo e quanto um erro de volume pesa na conta da carreta.

Posto de combustível iluminado à noite, sem movimento
Posto à noite: a ANP verifica qualidade, volume entregue pelas bombas, equipamentos e documentos. Foto: Hans Eiskonen / Unsplash

O caso: um motorista autônomo que abastece cerca de 400 litros por parada desconfia de uma bomba num posto de beira de estrada: a média da carreta caiu depois de dois abastecimentos ali. Ele quer saber o que a ANP fiscaliza, como denunciar e quanto pode estar perdendo.

Resposta curta: a ANP confere qualidade do combustível, volume entregue, equipamentos e documentos, e divulga balanços semanais. Na semana de 28/9 a 2/10, atuou em 18 unidades da Federação; de 5 a 9/10, apreendeu 54.520 litros em Caxias do Sul. Se uma bomba entregar 1% a menos, com o diesel a R$ 7,35, o prejuízo é de R$ 29,40 por abastecimento de 400 litros e R$ 294 por mês numa carreta que roda 10 mil km.

O que a ANP encontrou nas duas últimas semanas

A ANP publica toda semana um resumo das ações de fiscalização no abastecimento. O balanço de 2 de outubro cobriu o período de 28 de setembro a 2 de outubro, com equipes em 18 unidades da Federação. Algumas ações foram feitas em conjunto com Procons, Inmetro, Ministérios Públicos estaduais e a Senacon. Os estados com mais autos de infração na semana foram estes:

Estado Postos fiscalizados Autos de infração (todos os agentes) Interdições
Rio Grande do Sul 19 11 2
Ceará 5 8 3
Pernambuco 11 8 –
Sergipe 13 6 –
Minas Gerais 19 5 1
São Paulo 32 5 3
Distrito Federal 22 4 1
Pará 9 4 1

Os autos somam infrações de todos os agentes visitados no estado, não só de postos: no Rio Grande do Sul, por exemplo, a lista incluiu distribuidoras, revendas de GLP e transportadores-revendedores-retalhistas (TRR), que vendem diesel a granel para frotas e fazendas. No Amazonas, em Goiás, em Mato Grosso e em Roraima, os postos visitados não tiveram irregularidade.

Rio Grande do Sul11Ceará8Pernambuco8Sergipe6Minas Gerais5São Paulo5Distrito Federal4Pará4
Figura 1. Autos de infração lavrados pela ANP de 28/9 a 2/10/2026, por estado (estados com quatro autos ou mais). Fonte: balanço semanal da ANP.

Na semana seguinte, de 5 a 9 de outubro, a ANP atuou em 15 unidades da Federação. O destaque foi Caxias do Sul (RS): com o Procon municipal e, em uma das ações, a Polícia Civil, a agência apreendeu 54.520 litros de combustíveis e 34 botijões de GLP de agentes que operavam sem autorização. No balanço gaúcho da semana entraram 10 postos, 2 distribuidoras e 2 TRR em Caxias do Sul, Esmeralda e Vacaria, com 9 autos, 4 interdições e 21 amostras coletadas.

Para dimensionar: 54.520 litros de diesel seriam suficientes para uma carreta a 2,5 km/l rodar 136.300 km, mais de um ano de trabalho para quem roda 10 mil km por mês.

Preço abusivo saiu da alçada da ANP

Os dois balanços trazem um aviso importante. Desde o fim da vigência da Medida Provisória nº 1.340/2026, a ANP não aplica mais autos de infração por preço abusivo, porque deixou de ter essa competência. Quando a fiscalização encontra indício de abuso, encaminha o caso aos órgãos de defesa do consumidor. A agência mantém um plano de fiscalização iniciado em 1º de outubro.

Para o caminhoneiro, isso muda o endereço da reclamação: preço alto demais vai para o Procon; problema de qualidade, volume ou falta de autorização continua com a ANP.

Frasco de laboratório com líquido âmbar
Figura 2. Amostras coletadas nos postos vão para análise em laboratório; o resultado alimenta o histórico do posto no aplicativo da ANP. Foto: Raghav Bhasin / Unsplash

Quanto custa uma bomba que entrega menos

Bomba descalibrada é um prejuízo silencioso, porque o motorista paga pelo número do visor. A tabela mostra o efeito de diferenças de volume, em valores de exemplo, com o diesel S10 a R$ 7,35 (média nacional ANP de 27/09 a 03/10):

Volume a menos (exemplo) Perda por litro Por abastecimento de 400 l Por mês (4.000 l) Por ano
0,5% R$ 0,037 R$ 14,70 R$ 147 R$ 1.764
1,0% R$ 0,073 R$ 29,40 R$ 294 R$ 3.528
2,0% R$ 0,147 R$ 58,80 R$ 588 R$ 7.056

O mesmo erro aparece como queda de média. Se a carreta rodou 1.000 km e o visor registrou 400 litros, a média calculada é 2,50 km/l. Se a bomba entregou 1% a menos, o caminhão na verdade consumiu 396 litros e fez 2,53 km/l; o motorista acha que o caminhão piorou quando o problema é a bomba.

02004006008001.0000012223Volume entregue a menos (%)R$ por mêsPerda mensal
Figura 3. Prejuízo mensal de uma carreta que consome 4.000 litros por mês, conforme a diferença de volume na bomba. Diesel S10 a R$ 7,35 (ANP, 27/09 a 03/10/2026).

Checklist antes de reclamar

Perguntas frequentes

A ANP ainda multa posto por preço alto?

Não. Desde o fim da vigência da MP nº 1.340/2026, a ANP não lavra autos por preço abusivo e encaminha os indícios aos órgãos de defesa do consumidor.

Quantos estados a ANP fiscalizou?

18 unidades da Federação de 28/9 a 2/10 e 15 de 5 a 9/10, segundo os balanços semanais da agência.

Quanto perco se a bomba entregar 1% a menos?

Com diesel a R$ 7,35, R$ 29,40 a cada 400 litros e R$ 3.528 por ano numa carreta que consome 4.000 litros por mês.

O que foi apreendido no Rio Grande do Sul?

54.520 litros de combustíveis e 34 botijões de GLP em Caxias do Sul, de agentes que atuavam sem autorização da ANP.

Como sei se o posto é confiável?

O aplicativo ANP com VC – Postos mostra autorização, histórico de fiscalização e resultados de qualidade. Guardar notas e acompanhar a média também ajuda.

Para separar o consumo real do caminhão de um problema de bomba, use a calculadora de consumo de diesel com os dados de cada tanque cheio.

Faça a conta: Consumo de diesel →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

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