Como usar a calculadora
A calculadora acima responde a uma pergunta só: qual é o menor valor que a tabela da ANTT permite pagar por um frete de carga lotação, com a sua carga, o seu número de eixos e a sua distância.
- Tipo de carga. Escolha entre as 12 categorias da tabela: granel sólido, granel líquido, frigorificada ou aquecida, conteinerizada, carga geral, neogranel, as cinco versões de carga perigosa e carga granel pressurizada. A página abre em carga geral.
- Número de eixos. Conte todos os eixos da composição, do cavalo e dos implementos: 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 9. A tabela da ANTT não tem coluna para 8 eixos. Algumas combinações não existem (conteinerizada com 2 eixos, por exemplo); nesse caso a calculadora avisa que não há coeficiente.
- Distância de ida (km). A quilometragem rodada carregado, da origem ao destino. Use a mesma do contrato.
- Tipo de contratação. Tabela A para composição completa ou caminhão simples; tabela B quando se contrata apenas a unidade de tração (o cavalo); tabelas C e D para as mesmas situações em operações de alto desempenho, conforme a definição da ANTT.
- Retorno vazio obrigatório. Marque só quando a volta vazia é obrigatória pela regra da ANTT, como no transporte de contêineres e em frotas específicas, dedicadas ou fidelizadas por razões sanitárias ou de certificação. Ao marcar, aparece o campo da distância de retorno.
O quadro de resultado mostra o piso total e quatro parcelas: deslocamento, carga e descarga, retorno vazio e valor por km de ida.
Como o cálculo funciona
O piso segue a política de pisos mínimos da Lei 13.703/2018 e a metodologia da Resolução ANTT 5.867/2020. A base usada aqui é a da Portaria SUROC nº 22/2026, com vigência a partir de 30/09/2026, conferida pela nossa redação em 08/10/2026. Para cada combinação de tabela, carga e eixos, a ANTT publica dois coeficientes:
- CCD (coeficiente de custo de deslocamento), em reais por quilômetro;
- CC (coeficiente de carga e descarga), em reais por viagem, independente da distância.
A conta é:
Piso = distância de ida × CCD + CC + retorno vazio
Quando há retorno vazio obrigatório, a parcela de retorno é distância de retorno × 0,92 × CCD da composição. Nas tabelas B e D (só tração), o CCD do retorno é o da composição completa correspondente (A e C, respectivamente). O valor "por km de ida" é o total dividido pela distância de ida, por isso cai à medida que a viagem fica mais longa: o CC se dilui em mais quilômetros.
Exemplo calculado
Carga geral, carreta de 6 eixos, tabela A, 500 km de ida, sem retorno vazio:
- CCD: R$ 7,5347 por km → 500 × 7,5347 = R$ 3.767,35 de deslocamento;
- CC: R$ 671,93 de carga e descarga;
- Piso: R$ 4.439,28, ou R$ 8,88 por km de ida.
Se a mesma viagem exigisse retorno vazio de 500 km, entrariam mais 500 × 0,92 × 7,5347 = R$ 3.465,96, e o piso subiria para R$ 7.905,24.
A distância pesa mais que tudo, mas o CC faz diferença em viagem curta. Com os mesmos 6 eixos em carga geral, 100 km dão piso de R$ 1.425,40 (R$ 14,25 por km), enquanto 1.500 km dão R$ 11.973,98 (R$ 7,98 por km).
O tipo de carga também muda o resultado. Nos mesmos 500 km com 6 eixos, tabela A: granel sólido fica em R$ 4.462,06, frigorificada em R$ 5.217,90 e perigosa (carga geral) em R$ 4.755,63.
Tabela de referência: carga geral, 500 km
Piso da tabela A por número de eixos, sem retorno vazio:
| Eixos | CCD (R$/km) | CC (R$) | Piso (500 km) | Por km de ida |
|---|---|---|---|---|
| 2 | 4,0738 | R$ 451,84 | R$ 2.488,74 | R$ 4,98 |
| 3 | 5,2177 | R$ 541,86 | R$ 3.150,71 | R$ 6,30 |
| 4 | 5,9180 | R$ 588,86 | R$ 3.547,86 | R$ 7,10 |
| 5 | 6,8284 | R$ 657,56 | R$ 4.071,76 | R$ 8,14 |
| 6 | 7,5347 | R$ 671,93 | R$ 4.439,28 | R$ 8,88 |
| 7 | 8,2727 | R$ 831,66 | R$ 4.968,01 | R$ 9,94 |
| 9 | 9,4114 | R$ 903,32 | R$ 5.609,02 | R$ 11,22 |
E o efeito do tipo de contratação, para carga geral com 6 eixos e 500 km:
| Tabela | Situação | Piso |
|---|---|---|
| A | Composição completa ou caminhão simples | R$ 4.439,28 |
| B | Apenas unidade de tração | R$ 4.002,14 |
| C | Composição completa · alto desempenho | R$ 3.477,37 |
| D | Unidade de tração · alto desempenho | R$ 3.162,96 |
O que a calculadora não faz
O piso não é preço de frete. Não inclui pedágio, que é pago à parte pelo contratante, nem lucro, tributos, seguro da carga, taxas de gerenciamento de risco, estadia ou diárias de espera. Também não considera o preço do diesel da sua região: o reajuste do combustível chega à tabela quando a ANTT publica nova portaria, e a nossa base só muda depois de conferida. A calculadora vale para contratação de carga lotação; carga fracionada não segue esta tabela. Ela não emite CIOT, não substitui a calculadora oficial da ANTT e não decide se a sua operação tem retorno vazio obrigatório.
Perguntas frequentes
Como é calculado o frete mínimo da ANTT?
Multiplica-se a distância de ida pelo coeficiente de deslocamento (CCD) e soma-se o coeficiente de carga e descarga (CC), os dois definidos por tipo de carga, número de eixos e tabela de contratação. Quando o retorno vazio é obrigatório, acrescenta-se a distância de retorno × 0,92 × CCD da composição. Para carga geral, 6 eixos e 500 km na tabela A, o resultado é R$ 4.439,28.
O pedágio está incluído no piso?
Não. O piso cobre o custo de deslocamento e de carga e descarga calculado pela ANTT; o pedágio é pago separadamente pelo contratante e não deve ser descontado do valor do frete. Para estimar o pedágio da rota, use a calculadora de pedágios do Movendo Brasil e some o valor à parte na negociação.
Por que o valor por km cai em viagens longas?
Porque o CC é fixo por viagem. Em 100 km, os R$ 671,93 de carga e descarga de uma carreta de 6 eixos em carga geral pesam muito sobre poucos quilômetros, e o piso chega a R$ 14,25 por km; em 1.500 km, a mesma parcela se dilui e o valor cai para R$ 7,98 por km.
Quando devo usar a tabela B?
Quando o contratante paga só pela unidade de tração, ou seja, o cavalo mecânico puxa um implemento que não pertence ao transportador contratado. Os coeficientes da tabela B são menores que os da A porque não remuneram o semirreboque; em carga geral com 6 eixos e 500 km, o piso cai de R$ 4.439,28 para R$ 4.002,14.
A tabela daqui está atualizada?
A base usa a Portaria SUROC nº 22/2026, com vigência a partir de 30/09/2026, conferida em 08/10/2026. A ANTT revisa a tabela periodicamente e também quando o diesel varia além do limite previsto na lei, por isso vale conferir a página da agência antes de fechar um contrato e, em caso de diferença, prevalece a publicação oficial.
Posso cobrar menos que o piso se o embarcador pedir?
Não. Pela Lei 13.703/2018, o piso é o valor mínimo para a contratação do transporte rodoviário de cargas, e a ANTT fiscaliza o cumprimento. Acordos abaixo do piso ficam sujeitos às penalidades previstas na regulamentação da agência, inclusive para quem contrata.
Fontes: Portaria SUROC nº 22/2026 no sistema de atos da ANTT, de onde vêm os coeficientes CCD e CC (vigência 30/09/2026, conferida em 08/10/2026), e a calculadora oficial de frete da ANTT, usada para conferência dos resultados.