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Frete de caminhão toco para entregas de 150 km

O toco é o caminhão das entregas regionais: sai cedo, roda 150 km, descarrega e volta. Mostramos quanto a tabela da ANTT garante por viagem, quanto ela custa ao dono do caminhão e a partir de quantas viagens por semana o mês fecha no azul.

Caminhão baú branco estacionado em rua comercial
Caminhão baú em entrega urbana: no toco, o piso de cada viagem curta é pequeno e o número de viagens decide o mês. Foto: Geoffrey Faber / Unsplash

O caso: um caminhoneiro autônomo com um toco (2 eixos, 4x2) faz entregas de carga geral paletizada para um atacadista, de um centro de distribuição a uma cidade a cerca de 150 km. Cada contrato ocupa o caminhão inteiro (lotação), na Tabela A, e a volta é feita vazia.

Resposta curta: o piso de cada viagem é R$ 1.062,91, sem pedágio. A ida e volta de 300 km custa R$ 516,27 em despesas variáveis. Com os custos fixos do exemplo, o mês só fecha a partir de 4,5 viagens por semana recebendo o piso; com 5 viagens semanais sobram cerca de R$ 1.194 por mês.

1. O piso de uma viagem curta

Para o caminhão de 2 eixos com carga geral, a Portaria SUROC nº 22/2026 fixou CCD de R$ 4,0738 por km e CC de R$ 451,84 por viagem. Com 150 km:

Parcela Cálculo Valor
Deslocamento 150 km × R$ 4,0738 R$ 611,07
Carga e descarga valor fixo R$ 451,84
Piso da viagem R$ 1.062,91
Piso por km da ida ÷ 150 km R$ 7,09
Piso por km rodado (ida e volta) ÷ 300 km R$ 3,54

Em viagens curtas, o CC pesa: aqui ele responde por 43% do piso. É ele que remunera o tempo de carregar e descarregar, que num toco de entrega regional pode tomar tanto tempo quanto a estrada.

DeslocamentoR$ 611,07Carga e descargaR$ 451,84
Figura 1. Composição do piso do toco (2 eixos, carga geral, Tabela A) em 150 km: a parcela fixa de carga e descarga é quase metade.

2. Como o piso por km muda com a distância

O valor por quilômetro despenca à medida que a distância cresce, porque o CC é diluído. Por isso não faz sentido aplicar ao toco um "preço por km" único para todas as entregas.

Distância Piso toco (2 eixos) Por km Piso truck (3 eixos) Por km
50 km R$ 655,53 R$ 13,11 R$ 802,75 R$ 16,05
100 km R$ 859,22 R$ 8,59 R$ 1.063,63 R$ 10,64
150 km R$ 1.062,91 R$ 7,09 R$ 1.324,51 R$ 8,83
200 km R$ 1.266,60 R$ 6,33 R$ 1.585,40 R$ 7,93
300 km R$ 1.673,98 R$ 5,58 R$ 2.107,17 R$ 7,02

Se o atacadista oferecer um truck no lugar do toco para os mesmos 150 km, o piso sobe para R$ 1.324,51, R$ 261,60 a mais. Só compensa se a carga não couber no toco.

3. Quanto o toco leva

Pela Resolução CONTRAN nº 882/2021, o toco tem limite de 6 t no eixo dianteiro e 10 t no traseiro de rodagem dupla: 16 t de peso bruto total. Como o limite fica abaixo de 50 t, a fiscalização olha só o peso total, com tolerância de 5% (16,8 t). Com tara de exemplo de 6,5 t (chassi com baú), sobram cerca de 9,5 t de carga útil. Confira sempre o PBT homologado pelo fabricante no CRLV, que pode ser menor que a soma dos eixos.

Na prática, em carga paletizada de atacado, o toco costuma lotar por volume antes de lotar por peso. Isso não muda o piso, que é por viagem.

4. O custo da ida e volta

Premissas de exemplo para o toco, que o leitor deve trocar pelos próprios números: consumo médio de 5,5 km/l, diesel S10 a R$ 7,35/l (média nacional da ANP na semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026), ARLA 32 equivalente a 5% do diesel a R$ 3,80/l, pneus a R$ 0,12/km, manutenção a R$ 0,20/km e R$ 0,03/km de lavagem e miudezas.

A ida e volta gasta 55 litros de diesel, ou R$ 400,91. Somando os demais variáveis, o custo variável fica em R$ 1,72 por km, ou R$ 516,27 por viagem. Do piso de R$ 1.062,91, restam R$ 546,64 por viagem para pagar os custos fixos.

E os fixos do exemplo somam R$ 10.650,00 por mês: parcela do caminhão de R$ 4.500, seguro de R$ 700, IPVA e licenciamento de R$ 2.400 por ano, retirada do dono de R$ 4.500, rastreador de R$ 150 e R$ 600 de contador, telefone e despesas diversas.

Caminhão leve branco em estrada molhada entre campos verdes
Figura 2. Caminhão leve em estrada regional: o mês só fecha com um mínimo de viagens por semana recebendo o piso. Foto: Zoshua Colah / Unsplash

5. Quantas viagens por semana fecham a conta

Dividindo os fixos pela sobra de cada viagem, o ponto de equilíbrio fica em 5.845 km por mês, o equivalente a 4,5 viagens de ida e volta por semana. Abaixo disso, o caminhão roda pagando para trabalhar, mesmo recebendo o piso.

Viagens por semana Km por mês Custo por km Custo do mês Receita no piso Resultado
3 3.900 R$ 4,45 R$ 17.362 R$ 13.818 −R$ 3.544
4 5.200 R$ 3,77 R$ 19.599 R$ 18.424 −R$ 1.175
5 6.500 R$ 3,36 R$ 21.836 R$ 23.030 +R$ 1.194
6 7.800 R$ 3,09 R$ 24.073 R$ 27.636 +R$ 3.563

O mês foi calculado com 4,33 semanas. Valores negativos significam prejuízo. Repare que o custo por km cai à medida que o caminhão roda mais, porque o mesmo custo fixo se espalha por mais quilômetros. É por isso que o mesmo caminhão pode dar prejuízo num mês fraco e lucro num mês cheio, com o mesmo frete por viagem. Quem só olha o custo do diesel enxerga uma sobra de R$ 662,00 por viagem e acha que qualquer frete no piso é bom negócio.

0,01,63,24,86,48,00123456Viagens de ida e volta por semanaR$ por kmPiso por km rodadoCusto por km
Figura 3. Custo por km do toco do exemplo conforme o número de viagens semanais, contra o piso dividido pelos 300 km de ida e volta. O cruzamento é o ponto de equilíbrio.

6. Cabe na jornada?

Com 150 km por trecho e média de 55 km/h em rodovia regional, são cerca de 2 h 44 min de direção na ida e o mesmo na volta, 5 h 27 min no total. A Lei nº 13.103/2015 limita a direção contínua a 5 h 30 min, o que deixa os trechos dentro da regra com folga. Somando cerca de duas horas de carga e descarga e o trânsito urbano na chegada, o ciclo ocupa de oito a nove horas. Duas viagens no mesmo dia exigiriam perto de 11 horas de direção e quatro de doca, 15 horas, o que não cabe junto com o descanso de 11 horas a cada 24 horas que a lei exige. Dá uma viagem por dia, não duas.

Portanto, o teto realista é de 5 ou 6 viagens por semana. Como o equilíbrio está em 4,5, a margem de segurança é estreita: um dia parado por manutenção ou por falta de carga já leva o mês para perto do zero.

7. O que melhora a conta

8. O que conferir antes de rodar

9. Erros comuns

Usar o piso como se fosse o frete de ida e volta e esquecer que a volta vazia é custo do transportador. Tratar entrega fracionada de vários clientes como lotação: o piso por viagem vale para o contrato que ocupa o veículo inteiro. Esquecer de incluir a retirada do próprio dono nos fixos, o que faz o caminhão parecer lucrativo quando não é.

Perguntas frequentes

Qual o frete mínimo de um toco para 150 km?

Para carga geral na Tabela A, R$ 1.062,91 por viagem, ou R$ 7,09 por km da ida. Pedágio é somado à parte.

Quanto custa rodar os 300 km de ida e volta?

No exemplo, R$ 516,27 em custos variáveis, dos quais R$ 400,91 de diesel.

Quantas viagens por semana o toco precisa fazer?

Com os fixos de R$ 10.650,00 por mês e recebendo o piso, pelo menos 4,5 viagens de ida e volta por semana.

Com 6 viagens por semana, quanto sobra?

Cerca de R$ 3.563 por mês, além da retirada de R$ 4.500 já incluída nos custos.

E se a entrega for a 100 km?

O piso cai para R$ 859,22, mas o custo variável da ida e volta também cai, para R$ 344,18.

Na calculadora de frete mínimo, informe 2 eixos e a distância da sua entrega; depois leve o resultado à calculadora de custo por km para ver quantas viagens o seu caminhão precisa.

Faça a conta: Frete mínimo →

Fontes e referências

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