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Frete e caminhões

Piso do frete sobe com diesel a R$ 7,33: o que mudou

A ANTT acionou o gatilho do diesel e republicou os coeficientes do piso mínimo do frete, em vigor desde 30 de setembro de 2026. Só a parcela por quilômetro mudou; a de carga e descarga ficou igual. Fizemos a conta de quanto isso soma numa viagem real.

Cavalo mecânico azul parado em posto de combustível
Caminhão no posto: o novo piso da ANTT foi calculado com o diesel a R$ 7,33 por litro. Foto: Arlind Photography / Unsplash

O caso: uma carreta de 6 eixos leva carga geral numa rota de cerca de 900 km (distância aproximada, como São Paulo–Goiânia), contratada como composição completa (Tabela A). O frete foi acertado em setembro. A pergunta: quanto mudou o piso para quem carrega a partir de 30 de setembro de 2026?

Resposta curta: o piso passou de R$ 7.291,16 para R$ 7.453,16, alta de R$ 162,00 por viagem (2,2%). Só o coeficiente por quilômetro subiu, de R$ 7,3547 para R$ 7,5347; os R$ 671,93 de carga e descarga não mudaram.

1. O que a ANTT publicou e desde quando vale

A Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc) da ANTT assinou em 28 de setembro de 2026 a Portaria SUROC nº 22/2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de setembro, em edição extra. O art. 3º diz que ela entra em vigor no dia seguinte ao da publicação: 30 de setembro de 2026. Desde essa data, todo cálculo de piso mínimo usa os novos coeficientes.

A portaria faz duas coisas:

  1. reajusta os coeficientes do Anexo II da Resolução ANTT nº 5.867/2020, nas quatro tabelas (A, B, C e D);
  2. troca o preço do diesel de referência da metodologia, que passa a ser R$ 7,33 por litro de diesel S10, média nacional da ANP na semana de 20 a 26 de setembro de 2026.

Na revisão semestral de julho (Resolução ANTT nº 6.084/2026, em vigor desde 17 de julho), o diesel de referência era R$ 6,97. A diferença é de 5,2%, acima do limite que a lei usa como gatilho.

2. Por que houve reajuste fora do calendário

A Lei nº 13.703/2018, com a redação dada pela Lei nº 15.485/2026, manda a ANTT publicar os pisos até 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano (§ 3º-A do art. 5º). O § 3º do mesmo artigo cria a exceção: constatada oscilação de 5% ou mais no preço do diesel, para mais ou para menos, a agência precisa publicar nova norma com os pisos recalculados. A nota da ANTT de 30 de setembro deixa claro que esta não é a revisão semestral ordinária, e sim o gatilho do diesel.

Na prática, o diesel só entra no CCD (coeficiente de custo de deslocamento, em R$/km), porque é um custo que cresce com a distância rodada. O CC (custo de carga e descarga, valor fixo por viagem) não depende de combustível. Comparando a tabela da Resolução 6.084 com a da Portaria 22, os CC de Carga Geral são idênticos em todas as configurações de eixos, de R$ 451,84 (2 eixos) a R$ 903,32 (9 eixos).

O diesel subiu 5,2%, mas o CCD de 6 eixos subiu 2,4%. A diferença é esperada: o diesel é só uma das parcelas do custo por quilômetro da metodologia, e as demais não foram reajustadas nesta atualização, que trocou apenas o preço do combustível.

Carreta laranja e carro rodando em rodovia à noite
Figura 1. Carreta na rodovia: o reajuste do piso muda conforme o número de eixos e a distância da viagem. Foto: Nishat Samadzai / Unsplash

3. Quanto subiu, eixo por eixo

Mesma rota de 900 km, Carga Geral, Tabela A. "Antes" é a tabela da Resolução 6.084/2026 (17/07 a 29/09); "depois" é a da Portaria 22/2026.

Eixos CCD antes (R$/km) CCD depois (R$/km) Piso antes Piso depois Diferença
2 3,9826 4,0738 R$ 4.036,18 R$ 4.118,26 R$ 82,08
3 5,0977 5,2177 R$ 5.129,79 R$ 5.237,79 R$ 108,00
4 5,7822 5,9180 R$ 5.792,84 R$ 5.915,06 R$ 122,22
5 6,6718 6,8284 R$ 6.662,18 R$ 6.803,12 R$ 140,94
6 7,3547 7,5347 R$ 7.291,16 R$ 7.453,16 R$ 162,00
7 8,0927 8,2727 R$ 8.115,09 R$ 8.277,09 R$ 162,00
9 9,2027 9,4114 R$ 9.185,75 R$ 9.373,58 R$ 187,83

O aumento em reais cresce com o número de eixos porque o CCD maior multiplica a mesma distância. O bitrem de 9 eixos ganhou R$ 187,83 nessa rota; o caminhão de 2 eixos, R$ 82,08.

Piso até 29/09R$ 7.291,16Piso desde 30/09R$ 7.453,16DiferençaR$ 162,00
Figura 2. Carreta de 6 eixos, Carga Geral, cerca de 900 km, Tabela A: piso pela Resolução 6.084/2026 e pela Portaria SUROC 22/2026.

4. Quanto subiu conforme a distância

Como o CC ficou parado, a viagem curta sente menos o reajuste em percentual. Nas longas, a alta se aproxima da variação do próprio CCD. Carreta de 6 eixos, Carga Geral, distâncias aproximadas:

Distância Piso antes Piso depois Diferença Variação
300 km R$ 2.878,34 R$ 2.932,34 R$ 54,00 1,9%
600 km R$ 5.084,75 R$ 5.192,75 R$ 108,00 2,1%
900 km R$ 7.291,16 R$ 7.453,16 R$ 162,00 2,2%
1.500 km R$ 11.703,98 R$ 11.973,98 R$ 270,00 2,3%
2.500 km R$ 19.058,68 R$ 19.508,68 R$ 450,00 2,4%

Para o autônomo que roda com a mesma carreta 8 viagens de 900 km por mês, o piso somado sobe R$ 1.296,00 por mês. É o valor mínimo que o contratante precisa acrescentar; não é lucro extra, porque o diesel da bomba também subiu.

012024036048060005001.0001.5002.0002.500Distância (km)Aumento do piso (R$)Caso9 eixos6 eixos5 eixos
Figura 3. Quanto o piso de Carga Geral (Tabela A) subiu em reais com a Portaria SUROC 22/2026, por distância e número de eixos.

5. O que conferir no contrato e no CIOT

Erros comuns: aplicar a variação do diesel (5,2%) sobre o frete inteiro, o que superestima o reajuste; e esquecer que o CC não mudou, o que leva a recalcular a viagem curta com aumento maior do que o devido.

Perguntas frequentes

O piso subiu 5,2%, como o diesel?

Não. O diesel de referência subiu 5,2%, mas o CCD de Carga Geral com 6 eixos subiu 2,4% e o piso total da viagem de 900 km, 2,2%.

A partir de que dia vale a tabela nova?

De 30 de setembro de 2026, dia seguinte à publicação da Portaria SUROC 22/2026 no Diário Oficial (29/09).

Quanto ficou o piso de 6 eixos por quilômetro?

Na rota de 900 km, R$ 8,28 por km, somando deslocamento e carga e descarga. Antes eram R$ 8,10 por km.

E numa viagem curta, de 300 km?

O piso de 6 eixos passou de R$ 2.878,34 para R$ 2.932,34, alta de R$ 54,00, ou 1,9%.

Pode haver outro reajuste antes de janeiro?

Pode. Se o diesel oscilar 5% ou mais em relação aos R$ 7,33, para cima ou para baixo, a lei exige nova publicação. Sem isso, a próxima revisão ordinária sai até 20 de janeiro de 2027.

Para refazer a conta com a sua rota, o número de eixos e o tipo de carga, use a calculadora de frete mínimo, que já está com os coeficientes da Portaria SUROC 22/2026.

Leia também: Diesel a R$ 7,34: o gatilho que muda o piso do frete

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Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

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