Frete mínimo de São Paulo a BH: truck e carreta
São cerca de 586 km pela Fernão Dias. Veja o frete mínimo da ANTT para truck, carreta de 5 e de 6 eixos, o piso por tonelada, o diesel da viagem, o custo completo da carreta e a jornada do motorista.
O caso: uma distribuidora de São Paulo precisa mandar carga geral paletizada para Belo Horizonte, cerca de 586 km pela Fernão Dias (BR-381). Ela pode usar um truck (3 eixos) ou uma carreta 3S3 (6 eixos). Qual é o frete mínimo de cada um, quanto fica de diesel e em quanto tempo a carga chega?
Resposta curta: pela tabela A da ANTT, o piso da viagem é de R$ 3.599,43 no truck e de R$ 5.087,26 na carreta de 6 eixos, sem pedágio, que é pago à parte pelo embarcador. Com diesel S10 a R$ 7,36, o combustível consome R$ 1.232,27 no truck e R$ 1.797,07 na carreta. Saindo às 6h, a viagem cabe em um dia de jornada, com chegada prevista às 16:01.
As premissas da conta
Toda conta de frete depende de quatro números: distância, tipo de carga, número de eixos e preço do diesel. Neste guia, eles são:
| Premissa | Valor usado | De onde vem |
|---|---|---|
| Distância São Paulo–Belo Horizonte | 586 km | Rota pela BR-381 (Fernão Dias), aproximada |
| Tipo de carga | Carga geral | Paletes de mercadoria seca |
| Diesel S10 | R$ 7,36/l | Média nacional da ANP, semana de 4 a 10/10/2026 |
| Consumo do truck carregado | 3,5 km/l | Premissa da redação |
| Consumo da carreta 3S3 carregada | 2,4 km/l | Premissa da redação |
| Velocidade média na jornada | 65 km/h | Premissa da redação |
O piso usa a tabela vigente da ANTT, atualizada pela Portaria SUROC nº 22/2026, em vigor desde 30 de setembro de 2026 com diesel de referência a R$ 7,33 o litro. Se a sua rota tiver outra distância, troque o número na calculadora de frete mínimo: o piso cresce com o km rodado.
O frete mínimo por configuração
O piso da ANTT tem duas partes: o deslocamento, que é o valor por km vezes a distância, e a carga e descarga, um valor fixo por viagem. Para carga geral a 586 km:
| Veículo | Eixos | Deslocamento | Carga e descarga | Piso da viagem | Piso por km |
|---|---|---|---|---|---|
| Truck | 3 | R$ 3.057,57 | R$ 541,86 | R$ 3.599,43 | R$ 6,14 |
| Carreta 2S3 | 5 | R$ 4.001,44 | R$ 657,56 | R$ 4.659,00 | R$ 7,95 |
| Carreta 3S3 | 6 | R$ 4.415,33 | R$ 671,93 | R$ 5.087,26 | R$ 8,68 |
O piso é por viagem, não por tonelada. A carreta cobra mais por viagem, mas leva mais que o dobro do truck. Pela soma dos limites por eixo da Resolução Contran nº 882/2021, o truck tem 23 t de peso bruto total e a 3S3 tem 48,5 t. Descontando taras de 9 t e 16,5 t (premissas), sobram 14 t e 32 t de carga útil. Com a carroceria cheia, o piso por tonelada fica assim:
| Veículo | Carga útil | Piso da viagem | Piso por tonelada |
|---|---|---|---|
| Truck | 14 t | R$ 3.599,43 | R$ 257,10 |
| Carreta 3S3 | 32 t | R$ 5.087,26 | R$ 158,98 |
Para lotes grandes, a carreta sai mais barata por tonelada. Para entregas pequenas ou em centros urbanos com restrição de circulação, o truck pode ser a única opção.
E se a carga não for carga geral
O tipo de carga muda o coeficiente da tabela. Na mesma rota, com carreta de 6 eixos:
| Tipo de carga | Piso da viagem | Diferença sobre carga geral |
|---|---|---|
| Carga geral | R$ 5.087,26 | — |
| Granel sólido | R$ 5.112,57 | R$ 25,31 |
| Frigorificada | R$ 5.982,53 | R$ 895,27 |
Antes de fechar o frete, confira em qual categoria a mercadoria se encaixa. Classificar carga frigorificada como carga geral, por exemplo, deixa o frete abaixo do piso.
Quanto fica de diesel
Com o consumo de premissa e o diesel a R$ 7,36, a conta só de combustível, na ida, é:
| Veículo | Litros | Diesel | Diesel por km | Sobra do piso depois do diesel |
|---|---|---|---|---|
| Truck | 167 l | R$ 1.232,27 | R$ 2,10 | R$ 2.367,16 |
| Carreta 3S3 | 244 l | R$ 1.797,07 | R$ 3,07 | R$ 3.290,20 |
A sobra não é lucro. Dela saem pneus, manutenção, ARLA 32, parcela do caminhão, seguro, salário e a volta, que nem sempre tem carga. Se o diesel subir R$ 0,30 por litro, a sobra da carreta cai para R$ 3.216,95. Por isso vale fazer a conta completa de custo por km antes de aceitar o valor.
O custo completo da carreta na rota
O piso da ANTT é o mínimo legal. Para saber se ele paga o seu caminhão, é preciso somar o que o diesel não mostra. A redação montou um exemplo de carreta 3S3 de autônomo que roda 10.000 km por mês, com estas premissas mensais: parcela de R$ 9.000, seguros de R$ 800, rastreador de R$ 250, outros fixos de R$ 500 e retirada do motorista de R$ 5.000; IPVA e licenciamento de R$ 6.000 por ano; ARLA 32 a 5% do diesel, a R$ 4,00 o litro; pneus a R$ 0,25, manutenção a R$ 0,30 e outros custos a R$ 0,05 por km.
| Parte do custo | Por km |
|---|---|
| Custos fixos (parcela, seguro, IPVA, retirada, rastreador) | R$ 1,60 |
| Custos variáveis (diesel, ARLA 32, pneus, manutenção) | R$ 3,75 |
| Custo total por km | R$ 5,36 |
| Piso da ANTT por km nesta rota | R$ 8,68 |
Levando para a viagem de 586 km, o custo completo da ida fica em R$ 3.138,03, contra um piso de R$ 5.087,26. Se o custo passar do piso, o frete precisa ser negociado acima do mínimo, ou a conta não fecha no fim do mês. Se ficar abaixo, a margem existe, mas ainda falta pagar a volta quando ela é vazia.
Cada caminhão tem a sua conta. Troque as premissas pelos seus números na calculadora de custo por km: parcela quitada, pneus recapados ou consumo melhor mudam bastante o resultado.
Tempo de viagem e jornada
A Lei 13.103/2015 limita a direção contínua a 5 horas e 30 minutos e exige descanso. Com média de 65 km/h e saída às 6h:
| Item | Resultado |
|---|---|
| Tempo ao volante | 9 h 01 min |
| Paradas no caminho | 1 |
| Chegada prevista | 16:01 |
| Dias de calendário | 1 |
A primeira parada do dia é a refeição de 1 hora; as outras, de 30 minutos. A conta não inclui fila na carga, trânsito na Marginal ou no Anel Rodoviário de BH, nem a espera na descarga. Se a espera passar de 5 horas, entra a estadia.
Pedágio fica fora do frete
O pedágio da Fernão Dias é cobrado por eixo e, pela Lei 10.209/2001, é pago pelo embarcador por meio do vale-pedágio, separado do frete. A carreta de 6 eixos paga o dobro do truck em cada praça. Para saber o valor exato do trecho, use a calculadora de pedágios com o número de eixos do conjunto que vai rodar.
Checklist antes de fechar o frete
- Distância real. Meça a rota da porta do remetente à do destinatário, não de centro a centro.
- Tipo de carga certo. Carga geral, granel ou frigorificada mudam o piso.
- Eixos do conjunto. Conte os eixos que vão rodar carregados, não só os do cavalo.
- Piso da ANTT. Calcule o mínimo e não aceite valor abaixo dele.
- Vale-pedágio separado. Confirme que o embarcador vai pagar o pedágio à parte.
- Diesel do dia. Atualize o preço do litro antes da conta de custo.
- Tempo de espera. Combine por escrito o horário de carga e de descarga.
Erros comuns
- Usar a distância do mapa de carro. Caminhão pode precisar de desvios por restrição de horário ou de peso.
- Somar o pedágio ao frete. O vale-pedágio é à parte e não pode ser descontado do valor do frete.
- Comparar truck e carreta só pelo valor da viagem. O que importa é o custo por tonelada levada.
- Esquecer a volta. Se não houver carga de retorno, a volta vazia precisa sair do frete da ida.
- Achar que o piso cobre todo o custo. O piso é o mínimo legal, não o preço justo para o seu caminhão.
Perguntas frequentes
Qual é o frete mínimo de São Paulo a Belo Horizonte?
Para carga geral a 586 km, pela tabela A da ANTT, o piso é de R$ 3.599,43 no truck de 3 eixos, R$ 4.659,00 na carreta de 5 eixos e R$ 5.087,26 na carreta de 6 eixos. O pedágio não está incluído.
Quanto diesel uma carreta gasta de São Paulo a BH?
Com consumo de 2,4 km/l carregada, a carreta 3S3 usa cerca de 244 litros na ida. Com o S10 a R$ 7,36, são R$ 1.797,07.
Dá para fazer São Paulo–Belo Horizonte em um dia?
Sim, com saída cedo. A 65 km/h de média, são 9 h 01 min ao volante e chegada por volta das 16:01, respeitando as paradas da Lei 13.103/2015. Fila e espera na descarga ficam fora dessa conta.
O frete mínimo inclui a volta?
Na tabela A, o piso é calculado para a ida. O retorno vazio só entra na conta nos casos previstos pela ANTT; fora deles, a volta deve ser negociada no valor do frete.
Truck ou carreta: qual compensa nessa rota?
Depende do tamanho da carga. Com a carroceria cheia, o piso por tonelada da carreta 3S3 (R$ 158,98) é menor que o do truck (R$ 257,10). Para cargas de até 14 t ou entregas com restrição de circulação em Belo Horizonte, o truck tende a ser a escolha mais simples. Faça a conta com o peso real do lote antes de decidir.
Por que a carga frigorificada tem piso maior?
Porque a tabela da ANTT usa coeficientes próprios para cada tipo de carga, que refletem custos como o equipamento de refrigeração. Na mesma rota, o piso da carreta frigorificada é de R$ 5.982,53.
Leia também: Frete mínimo de São Paulo a Goiânia: carreta 6 eixos
Fontes e referências
- ANTT atualiza coeficientes do Piso Mínimo do Frete e divulga novo preço de referência do diesel (Portaria SUROC nº 22/2026) — Coeficientes em vigor desde 30/09/2026, diesel de referência a R$ 7,33/l.
- ANP – Síntese semanal do comportamento dos preços dos combustíveis nº 41/2026 — Semana de 4 a 10/10/2026: diesel S10 a R$ 7,36/l (média nacional); São Paulo R$ 7,22 e Belo Horizonte R$ 6,89 nas capitais.
- Resolução Contran nº 882/2021 – limites de pesos e dimensões — Limites por eixo usados para o PBT do truck (23 t) e da 3S3 (48,5 t).
- Lei nº 13.103/2015 (Lei do Motorista) — Tempo de direção contínua e descansos do motorista profissional.
- Lei nº 10.209/2001 (Vale-Pedágio obrigatório) — Pedágio pago pelo embarcador, à parte do frete.
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