Frete mínimo de São Paulo a Goiânia: carreta 6 eixos
Uma carreta de 6 eixos sai da Grande São Paulo com carga geral para Goiânia. Quanto a tabela da ANTT obriga a pagar, de onde sai esse número e quanto ele muda com mais ou menos eixos.
O caso: uma indústria de Guarulhos contrata uma carreta de 6 eixos (cavalo 6x4 e semirreboque de três eixos) para levar carga geral paletizada até um centro de distribuição em Goiânia. Contratação por lotação, composição completa (Tabela A), sem retorno vazio. Distância rodoviária aproximada: 930 km.
Resposta curta: o piso mínimo é R$ 7.679,20, ou R$ 8,26 por quilômetro rodado. Pedágio é somado à parte. Com 5 eixos o piso cai para R$ 7.007,97; com 7 eixos sobe para R$ 8.525,27.
1. A rota e a distância usada no cálculo
O trajeto mais comum entre a capital paulista e Goiânia segue pela Via Anhanguera até a divisa de Minas, atravessa o Triângulo Mineiro pela BR-050 (Uberaba e Uberlândia) e entra em Goiás pela BR-153, passando por Itumbiara. Saindo da zona norte de São Paulo ou de Guarulhos, o hodômetro marca algo entre 900 e 960 km, dependendo do ponto exato de coleta e de entrega. Neste guia usamos 930 km, um valor aproximado.
A distância tem peso direto no resultado porque o piso cresce em linha reta com ela. Cada 30 km a mais ou a menos mexem no valor em cerca de R$ 226,04. Por isso vale anotar no contrato a distância que as partes aceitaram: com 900 km o piso seria R$ 7.453,16; com 960 km, R$ 7.905,24.
2. Como sai o número de R$ 7.679
A Resolução ANTT nº 5.867/2020 manda calcular o piso da carga lotação assim: distância multiplicada pelo coeficiente de custo de deslocamento (CCD), somada ao coeficiente de carga e descarga (CC). Os dois coeficientes ficam no Anexo II, separados por tipo de carga e por número de eixos carregados, e foram reajustados pela Portaria SUROC nº 22/2026, em vigor desde 30 de setembro de 2026.
| Parcela | Coeficiente (6 eixos, carga geral, Tabela A) | Valor |
|---|---|---|
| Deslocamento | 930 km × R$ 7,5347/km | R$ 7.007,27 |
| Carga e descarga | valor fixo por viagem | R$ 671,93 |
| Piso mínimo | R$ 7.679,20 | |
| Piso por km rodado | piso ÷ 930 km | R$ 8,26 |
Repare que o piso por km (R$ 8,26) é maior que o CCD (R$ 7,53). A diferença é o CC diluído na viagem. Em rotas curtas essa diluição pesa muito; numa viagem de quase mil quilômetros, a parcela fixa responde por apenas 8,7% do total.
3. Cinco, seis ou sete eixos: o que muda
Muitos embarcadores perguntam se compensa trocar a carreta de 6 eixos por um conjunto menor ou maior. O piso responde só a uma parte dessa pergunta, porque a tabela não olha para o peso embarcado, e sim para a configuração do veículo. A ANTT conta todos os eixos da composição, inclusive os suspensos.
| Eixos | CCD (R$/km) | CC (R$) | Piso para 930 km | Piso por km |
|---|---|---|---|---|
| 5 | 6,8284 | 657,56 | R$ 7.007,97 | R$ 7,54 |
| 6 | 7,5347 | 671,93 | R$ 7.679,20 | R$ 8,26 |
| 7 | 8,2727 | 831,66 | R$ 8.525,27 | R$ 9,17 |
Passar de 5 para 6 eixos acrescenta R$ 671,23 ao piso nesta rota (9,6%). De 6 para 7 eixos, o salto é de R$ 846,07 (11,0%), maior porque o coeficiente de carga e descarga do bitrem também sobe de patamar. Se a mercadoria cabe com folga numa carreta de 5 eixos, o piso menor é legítimo; o que não pode é declarar menos eixos do que os que efetivamente rodam.
4. E se a carga não for carga geral
A mesma carreta, na mesma rota, tem piso diferente conforme a natureza do que vai no baú ou na grade. A Resolução nº 6.076/2026, que alterou a 5.867, também fixou uma regra para cargas mistas: quando uma lotação reúne mercadorias de tipos diferentes, vale o tipo da carga de maior valor no documento fiscal.
| Tipo de carga (6 eixos, 930 km) | Piso | Diferença sobre carga geral |
|---|---|---|
| Carga geral | R$ 7.679,20 | — |
| Neogranel | R$ 7.679,20 | R$ 0,00 |
| Conteinerizada | R$ 7.635,71 | R$ -43,49 |
| Granel sólido | R$ 7.714,62 | R$ 35,42 |
| Granel líquido | R$ 7.905,32 | R$ 226,11 |
| Perigosa (carga geral) | R$ 8.176,62 | R$ 497,42 |
| Frigorificada ou aquecida | R$ 9.041,07 | R$ 1.361,87 |
Neogranel e carga geral têm, para 6 eixos, exatamente os mesmos coeficientes. A carga conteinerizada sai ligeiramente abaixo nesta configuração. O salto grande aparece na carga frigorificada, cerca de 18% acima, reflexo do custo do equipamento de frio e do consumo extra. Carga perigosa fica no meio do caminho.
5. O que fica fora do piso
O piso da ANTT cobre o custo de rodar e de carregar e descarregar. A Resolução 5.867/2020 deixa expressamente de fora o lucro, os tributos e taxas não previstos na metodologia, as despesas administrativas e o pedágio. Este último tem regra própria: quando houver, deve ser obrigatoriamente acrescido ao piso e pago na forma da lei do vale-pedágio (Lei nº 10.209/2001).
Para ter uma ideia do quanto o piso já está comprometido com combustível, faça a conta da viagem. Com consumo de 2,4 km/l (premissa típica de carreta de 6 eixos carregada) e diesel S10 a R$ 7,33 por litro, o preço de bomba que a própria Portaria SUROC nº 22/2026 adotou como referência para a semana de 20 a 26 de setembro de 2026, a ida consome cerca de 388 litros, ou R$ 2.840,38. Isso equivale a 37% do piso. O restante precisa pagar pneus, manutenção, salário do motorista, depreciação e seguro, e a viagem de volta, se não houver carga.
6. O que conferir antes de rodar
- CIOT emitido antes da viagem. Pela Lei nº 13.703/2018, na redação atual, toda operação deve ser registrada previamente no Código Identificador da Operação de Transporte, com o valor contratado comparado ao piso. Quando há transportador autônomo (TAC) ou equiparado, quem emite é o contratante.
- Número de eixos igual ao do CRLV da composição. Eixo suspenso conta.
- Tipo de carga coerente com a nota fiscal. Carga geral é mercadoria embalada, identificada e contada por unidade.
- Distância do contrato. Registre a quilometragem combinada; ela é a base de toda a conta.
- Pedágio destacado. Vale-pedágio não pode ser embutido no piso.
- Tabela correta. Composição completa contratada usa a Tabela A; se só o cavalo for contratado, a Tabela B.
7. Do piso ao preço da cotação
O piso é um chão legal, não uma tabela de preços. Na prática, a cotação para Goiânia costuma ser montada em camadas, e cada uma precisa aparecer separada para que a fiscalização e o próprio motorista enxerguem o que foi pago.
- Piso ANTT da combinação real de eixos e carga: R$ 7.679,20 neste caso.
- Pedágio, somado à parte e quitado por vale-pedágio. O valor depende das praças do trajeto escolhido e da categoria do veículo; consulte as tarifas vigentes antes de fechar.
- Margem e despesas administrativas, que a resolução manda negociar livremente.
- Tributos incidentes sobre o serviço, conforme o regime de cada empresa.
A volta pesa na margem. Goiânia e o entorno têm oferta de carga de retorno para São Paulo, mas nem sempre no mesmo dia. Um transportador que aceita o piso cravado e volta vazio roda cerca de 1.860 km recebendo pelo que, na tabela, corresponde a 930 km. Quem vai contratar com frequência na rota tem interesse em fechar ida e volta com o mesmo parceiro, o que costuma baixar o preço final sem tocar no piso de cada perna.
8. Erros comuns nesta rota
O primeiro é tratar o valor por km como uma tarifa universal e multiplicá-lo por qualquer distância. Os R$ 8,26 por km valem para esta viagem de 930 km. Numa entrega de 300 km com a mesma carreta, o piso por km sobe para R$ 9,77, porque a carga e descarga pesa mais.
O segundo é usar coeficientes antigos. A tabela muda pelo menos duas vezes por ano e também sempre que o preço dos combustíveis varia 5% ou mais. Um contrato fechado com valores de julho pode ficar abaixo do piso depois de um reajuste.
O terceiro é achar que pagar abaixo do piso só gera multa. A lei prevê indenização ao transportador de até duas vezes o valor do piso aplicável à operação, além das sanções administrativas da ANTT.
Perguntas frequentes
Qual o frete mínimo de São Paulo a Goiânia com carreta de 6 eixos?
Para carga geral, contratação da composição completa e cerca de 930 km, o piso é R$ 7.679,20, sem pedágio. Isso dá R$ 8,26 por km.
Quanto custa a mais contratar um bitrem de 7 eixos?
O piso sobe para R$ 8.525,27, ou R$ 846,07 a mais que a carreta de 6 eixos na mesma distância.
O piso inclui a volta vazia?
Não neste caso. O retorno vazio só é obrigatório para contêiner e para frotas dedicadas ou fidelizadas por exigência sanitária ou de certificação. Na carga geral comum, a volta é risco do transportador e deve ser negociada no preço.
E se a carga for refrigerada?
Com carga frigorificada, a mesma carreta de 6 eixos tem piso de R$ 9.041,07 para os 930 km, ou R$ 1.361,87 acima da carga geral.
O valor muda se eu sair de Campinas em vez de São Paulo?
Muda na proporção da distância. Cada 100 km a menos reduzem o piso em R$ 753,47 para 6 eixos de carga geral; o CC de R$ 671,93 continua igual.
Antes de fechar a cotação, simule na calculadora de frete mínimo com a sua distância exata, o tipo de carga da nota e o número real de eixos.
Leia também: Frete mínimo de São Paulo a BH: truck e carreta
Fontes e referências
- Portaria SUROC nº 22/2026 (ANTT) — Coeficientes CCD e CC das Tabelas A e B vigentes desde 30/09/2026 e preço de referência do diesel S10
- Resolução ANTT nº 5.867/2020 — Fórmula do piso (distância × CCD + CC) e itens fora do piso, como o pedágio
- Lei nº 13.703/2018 (Política Nacional de Pisos Mínimos) — Caráter vinculante do piso, indenização e registro no CIOT
- Resolução ANTT nº 6.076/2026 — Regra para carga mista e definição de carga lotação
- ANP · Levantamento de preços de combustíveis — Série semanal de preços do diesel usada como referência
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