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Frete mínimo de São Paulo a Goiânia: carreta 6 eixos

Uma carreta de 6 eixos sai da Grande São Paulo com carga geral para Goiânia. Quanto a tabela da ANTT obriga a pagar, de onde sai esse número e quanto ele muda com mais ou menos eixos.

Rodovia movimentada com carros e prédios ao fundo
Rodovia de saída de grande cidade: a viagem de carreta até Goiânia começa no trânsito da região metropolitana. Foto: Vinícius Costa / Unsplash

O caso: uma indústria de Guarulhos contrata uma carreta de 6 eixos (cavalo 6x4 e semirreboque de três eixos) para levar carga geral paletizada até um centro de distribuição em Goiânia. Contratação por lotação, composição completa (Tabela A), sem retorno vazio. Distância rodoviária aproximada: 930 km.

Resposta curta: o piso mínimo é R$ 7.679,20, ou R$ 8,26 por quilômetro rodado. Pedágio é somado à parte. Com 5 eixos o piso cai para R$ 7.007,97; com 7 eixos sobe para R$ 8.525,27.

1. A rota e a distância usada no cálculo

O trajeto mais comum entre a capital paulista e Goiânia segue pela Via Anhanguera até a divisa de Minas, atravessa o Triângulo Mineiro pela BR-050 (Uberaba e Uberlândia) e entra em Goiás pela BR-153, passando por Itumbiara. Saindo da zona norte de São Paulo ou de Guarulhos, o hodômetro marca algo entre 900 e 960 km, dependendo do ponto exato de coleta e de entrega. Neste guia usamos 930 km, um valor aproximado.

A distância tem peso direto no resultado porque o piso cresce em linha reta com ela. Cada 30 km a mais ou a menos mexem no valor em cerca de R$ 226,04. Por isso vale anotar no contrato a distância que as partes aceitaram: com 900 km o piso seria R$ 7.453,16; com 960 km, R$ 7.905,24.

2. Como sai o número de R$ 7.679

A Resolução ANTT nº 5.867/2020 manda calcular o piso da carga lotação assim: distância multiplicada pelo coeficiente de custo de deslocamento (CCD), somada ao coeficiente de carga e descarga (CC). Os dois coeficientes ficam no Anexo II, separados por tipo de carga e por número de eixos carregados, e foram reajustados pela Portaria SUROC nº 22/2026, em vigor desde 30 de setembro de 2026.

Parcela Coeficiente (6 eixos, carga geral, Tabela A) Valor
Deslocamento 930 km × R$ 7,5347/km R$ 7.007,27
Carga e descarga valor fixo por viagem R$ 671,93
Piso mínimo R$ 7.679,20
Piso por km rodado piso ÷ 930 km R$ 8,26

Repare que o piso por km (R$ 8,26) é maior que o CCD (R$ 7,53). A diferença é o CC diluído na viagem. Em rotas curtas essa diluição pesa muito; numa viagem de quase mil quilômetros, a parcela fixa responde por apenas 8,7% do total.

DeslocamentoR$ 7.007,27Carga e descargaR$ 671,93
Figura 1. Composição do piso de São Paulo a Goiânia, carga geral, 6 eixos, Tabela A (coeficientes da Portaria SUROC nº 22/2026).

3. Cinco, seis ou sete eixos: o que muda

Muitos embarcadores perguntam se compensa trocar a carreta de 6 eixos por um conjunto menor ou maior. O piso responde só a uma parte dessa pergunta, porque a tabela não olha para o peso embarcado, e sim para a configuração do veículo. A ANTT conta todos os eixos da composição, inclusive os suspensos.

Eixos CCD (R$/km) CC (R$) Piso para 930 km Piso por km
5 6,8284 657,56 R$ 7.007,97 R$ 7,54
6 7,5347 671,93 R$ 7.679,20 R$ 8,26
7 8,2727 831,66 R$ 8.525,27 R$ 9,17

Passar de 5 para 6 eixos acrescenta R$ 671,23 ao piso nesta rota (9,6%). De 6 para 7 eixos, o salto é de R$ 846,07 (11,0%), maior porque o coeficiente de carga e descarga do bitrem também sobe de patamar. Se a mercadoria cabe com folga numa carreta de 5 eixos, o piso menor é legítimo; o que não pode é declarar menos eixos do que os que efetivamente rodam.

02.4004.8007.2009.60012.00002004006008001.0001.200Distância (km)Piso (R$)SP–Goiânia7 eixos6 eixos5 eixos
Figura 2. Piso mínimo de carga geral por distância, para 5, 6 e 7 eixos (Tabela A).

4. E se a carga não for carga geral

A mesma carreta, na mesma rota, tem piso diferente conforme a natureza do que vai no baú ou na grade. A Resolução nº 6.076/2026, que alterou a 5.867, também fixou uma regra para cargas mistas: quando uma lotação reúne mercadorias de tipos diferentes, vale o tipo da carga de maior valor no documento fiscal.

Tipo de carga (6 eixos, 930 km) Piso Diferença sobre carga geral
Carga geral R$ 7.679,20 —
Neogranel R$ 7.679,20 R$ 0,00
Conteinerizada R$ 7.635,71 R$ -43,49
Granel sólido R$ 7.714,62 R$ 35,42
Granel líquido R$ 7.905,32 R$ 226,11
Perigosa (carga geral) R$ 8.176,62 R$ 497,42
Frigorificada ou aquecida R$ 9.041,07 R$ 1.361,87

Neogranel e carga geral têm, para 6 eixos, exatamente os mesmos coeficientes. A carga conteinerizada sai ligeiramente abaixo nesta configuração. O salto grande aparece na carga frigorificada, cerca de 18% acima, reflexo do custo do equipamento de frio e do consumo extra. Carga perigosa fica no meio do caminho.

Caminhões rodando em rodovia ao pôr do sol
Figura 3. Caminhões na rodovia ao fim do dia: pedágio, carga e descarga e seguro ficam fora do piso e precisam entrar no preço. Foto: Vitalii Onyshchuk / Unsplash

5. O que fica fora do piso

O piso da ANTT cobre o custo de rodar e de carregar e descarregar. A Resolução 5.867/2020 deixa expressamente de fora o lucro, os tributos e taxas não previstos na metodologia, as despesas administrativas e o pedágio. Este último tem regra própria: quando houver, deve ser obrigatoriamente acrescido ao piso e pago na forma da lei do vale-pedágio (Lei nº 10.209/2001).

Para ter uma ideia do quanto o piso já está comprometido com combustível, faça a conta da viagem. Com consumo de 2,4 km/l (premissa típica de carreta de 6 eixos carregada) e diesel S10 a R$ 7,33 por litro, o preço de bomba que a própria Portaria SUROC nº 22/2026 adotou como referência para a semana de 20 a 26 de setembro de 2026, a ida consome cerca de 388 litros, ou R$ 2.840,38. Isso equivale a 37% do piso. O restante precisa pagar pneus, manutenção, salário do motorista, depreciação e seguro, e a viagem de volta, se não houver carga.

6. O que conferir antes de rodar

7. Do piso ao preço da cotação

O piso é um chão legal, não uma tabela de preços. Na prática, a cotação para Goiânia costuma ser montada em camadas, e cada uma precisa aparecer separada para que a fiscalização e o próprio motorista enxerguem o que foi pago.

  1. Piso ANTT da combinação real de eixos e carga: R$ 7.679,20 neste caso.
  2. Pedágio, somado à parte e quitado por vale-pedágio. O valor depende das praças do trajeto escolhido e da categoria do veículo; consulte as tarifas vigentes antes de fechar.
  3. Margem e despesas administrativas, que a resolução manda negociar livremente.
  4. Tributos incidentes sobre o serviço, conforme o regime de cada empresa.

A volta pesa na margem. Goiânia e o entorno têm oferta de carga de retorno para São Paulo, mas nem sempre no mesmo dia. Um transportador que aceita o piso cravado e volta vazio roda cerca de 1.860 km recebendo pelo que, na tabela, corresponde a 930 km. Quem vai contratar com frequência na rota tem interesse em fechar ida e volta com o mesmo parceiro, o que costuma baixar o preço final sem tocar no piso de cada perna.

Diesel da idaR$ 2.840,38Restante do pisoR$ 4.838,83
Figura 4. Quanto do piso de 6 eixos vai para o diesel da ida, com 2,4 km/l e S10 a R$ 7,33/l (premissas).

8. Erros comuns nesta rota

O primeiro é tratar o valor por km como uma tarifa universal e multiplicá-lo por qualquer distância. Os R$ 8,26 por km valem para esta viagem de 930 km. Numa entrega de 300 km com a mesma carreta, o piso por km sobe para R$ 9,77, porque a carga e descarga pesa mais.

O segundo é usar coeficientes antigos. A tabela muda pelo menos duas vezes por ano e também sempre que o preço dos combustíveis varia 5% ou mais. Um contrato fechado com valores de julho pode ficar abaixo do piso depois de um reajuste.

O terceiro é achar que pagar abaixo do piso só gera multa. A lei prevê indenização ao transportador de até duas vezes o valor do piso aplicável à operação, além das sanções administrativas da ANTT.

Perguntas frequentes

Qual o frete mínimo de São Paulo a Goiânia com carreta de 6 eixos?

Para carga geral, contratação da composição completa e cerca de 930 km, o piso é R$ 7.679,20, sem pedágio. Isso dá R$ 8,26 por km.

Quanto custa a mais contratar um bitrem de 7 eixos?

O piso sobe para R$ 8.525,27, ou R$ 846,07 a mais que a carreta de 6 eixos na mesma distância.

O piso inclui a volta vazia?

Não neste caso. O retorno vazio só é obrigatório para contêiner e para frotas dedicadas ou fidelizadas por exigência sanitária ou de certificação. Na carga geral comum, a volta é risco do transportador e deve ser negociada no preço.

E se a carga for refrigerada?

Com carga frigorificada, a mesma carreta de 6 eixos tem piso de R$ 9.041,07 para os 930 km, ou R$ 1.361,87 acima da carga geral.

O valor muda se eu sair de Campinas em vez de São Paulo?

Muda na proporção da distância. Cada 100 km a menos reduzem o piso em R$ 753,47 para 6 eixos de carga geral; o CC de R$ 671,93 continua igual.

Antes de fechar a cotação, simule na calculadora de frete mínimo com a sua distância exata, o tipo de carga da nota e o número real de eixos.

Leia também: Frete mínimo de São Paulo a BH: truck e carreta

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Fontes e referências

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