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Mineração fatura R$ 150,7 bi: o que roda de caminhão

O balanço semestral do Instituto Brasileiro de Mineração mostra ouro e cobre em alta e minério de ferro em queda no faturamento. Separamos os números que interessam a quem transporta e calculamos o frete mínimo por tonelada do granel mineral em bitrem e rodotrem.

Caminhão fora de estrada carregado em mina a céu aberto
Caminhão fora de estrada numa mina: dentro da cava, o transporte é próprio; fora dela, parte da produção segue por rodovia. Foto: Prahlad Inala / Unsplash

O caso: um transportador de granel que roda com bitrem de sete eixos entre pedreiras, moinhos de calcário e fazendas quer saber como está a mineração em 2026 e se o frete por tonelada que ele cobra respeita o piso da ANTT.

Resposta curta: a mineração faturou R$ 150,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, 8,2% a mais que um ano antes, segundo o IBRAM. O minério de ferro caiu 3,1%; ouro (+44,2%) e cobre (+41%) puxaram o resultado. O calcário dolomítico, carga típica do transporte rodoviário, faturou R$ 3,9 bilhões (−2,5%). Para 300 km em bitrem de sete eixos com 37 t (premissa), o piso de granel sólido é R$ 3.289,82, ou R$ 88,91 por tonelada.

Os números do semestre

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apresentou no fim de julho o balanço do setor mineral no primeiro semestre de 2026, com dados da ANM, do Comex Stat e do Novo Caged. O faturamento passou de R$ 139,2 bilhões para R$ 150,7 bilhões. Minas Gerais respondeu por 38,2% e o Pará por 34,6% do total. No primeiro trimestre, o instituto havia registrado R$ 77,9 bilhões (+6%), com o calcário dolomítico em R$ 1,62 bilhão, 7% abaixo do mesmo trimestre de 2025.

Substância 1º sem. 2025 (R$ bi) 1º sem. 2026 (R$ bi) Variação
Minério de ferro 73,5 71,2 -3,1%
Ouro 17,6 25,3 +43,8%
Cobre 14,6 20,6 +41,1%
Calcário dolomítico 4,0 3,9 -2,5%
Granito 3,5 3,8 +8,6%
Bauxita 3,2 3,0 -6,2%

As variações calculadas com os valores arredondados podem diferir em décimos das publicadas pelo IBRAM (−3,1%, +44,2%, +41,0%, −2,5%, +7,4% e −7,5%).

Minério de ferroR$ 71,2 biOuroR$ 25,3 biCobreR$ 20,6 biCalcário dolomíticoR$ 3,9 biGranitoR$ 3,8 biBauxitaR$ 3,0 bi
Figura 1. Faturamento da mineração por substância no 1º semestre de 2026, em bilhões de reais, segundo o IBRAM.

Nas exportações, o setor embarcou 196,2 milhões de toneladas (+2,4%) e faturou US$ 25,1 bilhões (+24,1%). O minério de ferro respondeu por 189,4 milhões de toneladas e US$ 13,4 bilhões, com preço médio de US$ 104,75 por tonelada no semestre, segundo o instituto. A China recebeu 70,1% das toneladas exportadas. A arrecadação de CFEM, a compensação paga pela exploração mineral, somou R$ 3,8 bilhões, distribuídos entre 2.695 municípios. O setor tinha 229.614 empregos diretos em maio e prevê US$ 76,9 bilhões de investimentos entre 2026 e 2030.

O que vai de caminhão

O minério de ferro exportado, que domina as toneladas, segue em sua maior parte por ferrovia até os portos. Para o transporte rodoviário, os números mais relevantes estão nas substâncias menores e nos insumos. Calcário dolomítico, usado como corretivo de solo, e granito, vendido em blocos e chapas, somaram R$ 7,7 bilhões no semestre. A bauxita faturou R$ 3,0 bilhões (−7,5%); a Mineração Rio do Norte, no Pará, produziu 5,5 milhões de toneladas no período e iniciou um projeto de R$ 5 bilhões para manter a operação até 2041, segundo publicação da ABAL. O documento não detalha a logística de cada substância.

Encosta de pedreira de calcário
Figura 2. Pedreira de calcário: corretivo de solo e brita estão entre as cargas minerais que dependem do caminhão. Foto: Sop Y / Unsplash

O piso do granel mineral por tonelada

O frete de calcário, brita e minério a granel se enquadra como granel sólido na tabela da ANTT. Calculamos o piso por tonelada para um bitrem de sete eixos com 37 t de carga e para um rodotrem de nove eixos com 48 t. As cargas são premissas e dependem da tara de cada conjunto.

Distância Bitrem 7 eixos (37 t) Por tonelada Rodotrem 9 eixos (48 t) Por tonelada
100 km R$ 1.643,50 R$ 44,42 R$ 1.852,09 R$ 38,59
200 km R$ 2.466,66 R$ 66,67 R$ 2.795,27 R$ 58,23
300 km R$ 3.289,82 R$ 88,91 R$ 3.738,45 R$ 77,88
500 km R$ 4.936,14 R$ 133,41 R$ 5.624,81 R$ 117,18
800 km R$ 7.405,62 R$ 200,15 R$ 8.454,35 R$ 176,13
0501001502002500150300450600750Distância (km)R$ por toneladaBitrem 7 eixosRodotrem 9 eixos
Figura 3. Piso da ANTT por tonelada para granel sólido, com 37 t no bitrem e 48 t no rodotrem (premissas de carga).

O rodotrem tem piso maior por viagem, mas leva mais carga: a 300 km, o piso por tonelada fica R$ 11,03 abaixo do bitrem. Em rotas curtas, comuns no calcário agrícola, o peso da carga e descarga no piso é maior: a 100 km, a parcela fixa de carga e descarga representa 50% do piso do bitrem.

O peso que cabe no bitrem

A premissa de 37 t não é aleatória. O bitrem de sete eixos tem limite de 57 t de peso bruto pela Lei da Balança. Com tara de 20 t (premissa), sobram 37 t de carga útil. Granel mineral é denso e enche o limite de peso antes de encher a caçamba, por isso o carregamento em pá carregadeira sem balança é a principal fonte de excesso.

Situação Peso bruto Limite Com tolerância de 5% Autuável?
37 t de calcário 57,0 t 57,0 t 59,85 t não
41 t de calcário 61,0 t 57,0 t 59,85 t sim

Com 41 t, o conjunto passa da tolerância e todos os eixos passam a ser conferidos. As 4 t a mais rendem, no piso por tonelada de 300 km, R$ 355,66, valor pequeno diante do risco de multa e de transbordo.

O que conferir no contrato

Perguntas frequentes

Quanto a mineração faturou no 1º semestre de 2026?

R$ 150,7 bilhões, alta de 8,2% sobre os R$ 139,2 bilhões de um ano antes, segundo o IBRAM.

O minério de ferro cresceu?

Em faturamento, caiu 3,1%, para R$ 71,2 bilhões. Em exportação, subiu 2,4% em toneladas (189,4 milhões) e 5,2% em dólares.

Qual o piso por tonelada para calcário a 300 km?

Em bitrem de sete eixos com 37 t, R$ 88,91 por tonelada (R$ 3.289,82 na viagem), pela tabela de granel sólido.

Vale mais a pena rodotrem ou bitrem?

Por tonelada, o rodotrem tem piso menor: R$ 77,88 contra R$ 88,91 a 300 km. A escolha depende da rota, da carga disponível e do custo de cada conjunto.

Quando sai o próximo balanço do IBRAM?

O instituto divulga balanços trimestrais; o do terceiro trimestre ainda não havia sido publicado até 12/10/2026.

Para converter o frete combinado em reais por tonelada e comparar com o piso, use a calculadora de frete por tonelada.

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Fontes e referências

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