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OPEP+ mantém produção em novembro: o que muda no diesel

Em reunião virtual no domingo, 4 de outubro, Arábia Saudita, Rússia e outros cinco produtores decidiram não mexer na produção de novembro. Explicamos o que a pausa significa e como o preço do petróleo chega ao diesel da carreta.

Fileira de cavalos mecânicos de extração de petróleo em um campo
Bombas de extração de petróleo: a OPEP+ decidiu manter em novembro o mesmo volume exigido desde setembro. Foto: Raff Liu / Unsplash

O caso: um autônomo com carreta de 6 eixos, que roda cerca de 10 mil km por mês, leu que a OPEP+ "manteve a produção" e quer saber se isso encarece ou barateia o diesel nas próximas semanas.

Resposta curta: a decisão de 4 de outubro não muda a oferta: os sete países repetem em novembro as metas de setembro, somando 31,01 milhões de barris por dia. O que pesa mais no preço hoje é a produção ainda parada no Oriente Médio. Como referência, cada US$ 10 a mais no barril equivalem a cerca de R$ 0,31 por litro no produto importado, ou R$ 1.067 por mês para essa carreta se todo o movimento chegasse à bomba, o que não acontece de forma automática.

O que a OPEP+ decidiu

O comunicado publicado pela OPEP informa que Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã se reuniram virtualmente em 4 de outubro de 2026 e decidiram "manter a produção exigida de setembro de 2026 para novembro de 2026". É o segundo mês seguido sem aumento: em 6 de setembro o mesmo grupo já tinha congelado o volume de outubro. A próxima reunião está marcada para 1º de novembro.

Esses sete países são os que anunciaram cortes voluntários adicionais em abril e novembro de 2023 e vinham devolvendo esse petróleo ao mercado em parcelas mensais. Até abril o grupo tinha oito integrantes; os Emirados Árabes Unidos deixaram a OPEP e a OPEP+ em 1º de maio de 2026.

A tabela de produção exigida, publicada como imagem junto ao comunicado e reproduzida pela imprensa especializada, ficou assim:

País Produção exigida em novembro (milhões de barris/dia) Participação no grupo
Arábia Saudita 10,478 33,8%
Rússia 9,949 32,1%
Iraque 4,431 14,3%
Kuwait 2,676 8,6%
Cazaquistão 1,628 5,2%
Argélia 1,007 3,2%
Omã 0,841 2,7%
Total 31,010 100%

Arábia Saudita e Rússia respondem juntas por 66% do volume. Produção "exigida" é o teto acertado, não o que sai de fato dos poços: parte dos países não tem capacidade para chegar ao número e outros precisam compensar excessos de meses anteriores.

Por que a pausa pesa menos do que parece

Entre junho e setembro, o grupo autorizou quatro aumentos de 188 mil barris por dia, 752 mil no total. É pouco perto do petróleo que continua fora do mercado por causa do conflito no Golfo. A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) estima que a produção parada na região chegou a 10,9 milhões de barris por dia no pico, em maio, e ainda estava em 4,8 milhões em setembro.

Aumentos da OPEP+ (jun–set)0,75 mi b/dProdução parada no Golfo (set)4,8 mi b/dProdução parada no Golfo (pico, maio)10,9 mi b/dPrevisão da EIA para o 4º tri4,5 mi b/d
Figura 1. Volume devolvido pela OPEP+ em quatro meses comparado à produção parada no Oriente Médio, segundo o STEO de outubro da EIA, em milhões de barris por dia.

Os preços acompanharam essa escassez. Segundo a EIA, o Brent teve média de US$ 114 por barril em setembro, US$ 23 acima de agosto, com pico de US$ 131 em 15 de setembro, depois de ataques ao oleoduto saudita Leste-Oeste, rota que desvia do Estreito de Ormuz. No relatório de 6 de outubro, a EIA elevou para US$ 105 a previsão do Brent no quarto trimestre e disse que os preços seguirão altos enquanto o fluxo do Oriente Médio não normalizar.

Em outras palavras: congelar a produção em novembro tira um possível alívio, mas não é o que move o preço agora. Se Ormuz e os oleodutos voltarem a operar normalmente, a oferta cresce muito mais do que qualquer parcela mensal da OPEP+.

Bomba de petróleo isolada no meio de uma plantação amarela
Figura 2. Poço em operação: a cotação do barril chega ao Brasil pelo diesel importado, que responde por um terço do consumo. Foto: David Thielen / Unsplash

Como o barril chega ao diesel da carreta

O Brasil importou cerca de um terço do diesel que consumiu, segundo a Fazenda. O importador paga o produto em dólar, e a ANP calcula toda semana a paridade de importação, o preço que o diesel importado teria posto no país. Na semana encerrada em 25 de setembro, essa paridade estava em R$ 6,63 por litro, enquanto o diesel A vendido pelos produtores nacionais saía, em média, por R$ 3,80 (sem tributos). No posto, o S10 custou R$ 7,35 em média entre 27 de setembro e 3 de outubro.

A conta abaixo mostra quanto uma variação no preço internacional representa por litro, com o dólar de R$ 4,9892 (Banco Central, 9/10). Ela supõe que o diesel no mercado internacional sobe ou desce o mesmo valor que o barril de petróleo, em dólares, o que é uma simplificação: a margem do refino pode ampliar ou reduzir o movimento.

Movimento no barril Por litro de diesel importado Por litro de S10 (85% de diesel A) Carreta, 4.000 l/mês
US$ 5 R$ 0,16 R$ 0,13 R$ 533
US$ 10 R$ 0,31 R$ 0,27 R$ 1.067
US$ 20 R$ 0,63 R$ 0,53 R$ 2.134
US$ 30 R$ 0,94 R$ 0,80 R$ 3.201

A coluna da carreta é um teto. O diesel nacional segue abaixo da paridade, a subvenção federal cobre parte da diferença e o repasse depende da política de preços da Petrobras e das distribuidoras. Quem abastece em bases que dependem de produto importado sente o movimento antes.

08001.6002.4003.2004.000051015202530Alta no barril (US$)Diesel da viagem (R$)Viagem de 1.000 km
Figura 3. Custo de diesel de uma viagem de 1.000 km a 2,5 km/l partindo de R$ 7,35/l, se a alta internacional chegasse inteira à bomba sobre a parcela de diesel A.

A conta numa viagem

Com o S10 a R$ 7,35, uma viagem de 1.000 km a 2,5 km/l consome 400 litros e custa R$ 2.940 em diesel. Uma alta de US$ 10 no barril, repassada integralmente sobre a parcela de diesel A, levaria essa conta a R$ 3.047, R$ 107 a mais por viagem. No custo por quilômetro, a diferença é de R$ 0,11.

O que acompanhar até a próxima reunião

Perguntas frequentes

A OPEP+ cortou a produção?

Não. Manteve em novembro a mesma produção exigida de setembro e outubro, 31,01 milhões de barris por dia para os sete países. O que parou foram os aumentos mensais de 188 mil barris por dia.

Quanto US$ 10 no barril representam no litro?

Cerca de R$ 0,31 por litro de diesel importado e R$ 0,27 por litro de S10, com o dólar a R$ 4,9892, supondo que o produto acompanhe o petróleo.

Por que o Brent subiu tanto em setembro?

Segundo a EIA, pela produção ainda parada no Oriente Médio, pelos ataques ao oleoduto Leste-Oeste saudita e pela queda dos estoques mundiais, que recuaram em média 1,9 milhão de barris por dia no terceiro trimestre.

O diesel no posto acompanha o Brent na hora?

Não. O diesel A nacional custava R$ 3,80 por litro contra paridade de R$ 6,63 na mesma semana. O repasse é parcial e defasado, e a subvenção federal amortece parte da diferença.

Quanto isso pesa por mês numa carreta?

Para 4.000 litros por mês, cada US$ 10 no barril somariam até R$ 1.067, se repassados integralmente.

Para refazer a conta com o seu consumo e o preço do diesel da sua base, use a calculadora de custo da viagem.

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Fontes e referências

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