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Paridade de importação do diesel: o que é e como está

A síntese semanal da ANP traz um número que quase ninguém olha no posto: a paridade de importação do diesel, que chegou a R$ 6,98 por litro em setembro e fechou o mês em R$ 6,63. Explicamos o que ela mede, por que está tão acima do preço do diesel nacional e como ler esse sinal no custo da viagem.

Navio-tanque vermelho visto de cima, no mar
Navio-tanque: a paridade de importação estima quanto custa trazer diesel de fora até o Brasil. Foto: Venti Views / Unsplash

O caso: uma transportadora negocia um contrato anual de frete e o cliente quer travar o preço por 12 meses. O gestor ouviu falar em "defasagem" do diesel e quer saber o que é a paridade de importação, onde ela está e qual risco isso representa para o custo da viagem.

Resposta curta: a paridade de importação (PPI) é a estimativa da ANP para quanto custaria trazer diesel de fora. Na semana até 25 de setembro, ficou em R$ 6,63 por litro, enquanto o diesel A nacional foi realizado a R$ 3,80 na semana até 27/09, uma distância de R$ 2,83. Parte dela está coberta pela subvenção federal ao diesel. Como simulação aritmética, se toda essa distância chegasse à bomba, uma viagem de 1.000 km de carreta subiria de R$ 2.940 para R$ 3.902 em diesel.

O que é a paridade de importação

O Brasil não produz todo o diesel que consome; uma parte vem de fora, por importadores e distribuidoras. A paridade de importação é o preço que tornaria indiferente comprar diesel aqui ou trazê-lo do exterior: parte da cotação internacional, convertida em reais, e soma os custos de colocar o produto no Brasil. A ANP publica toda semana, na síntese de preços, o PPI médio e a referência que usa como ponto de partida, o diesel da Costa do Golfo dos Estados Unidos.

Semana Diesel Costa do Golfo (R$/l) PPI médio (R$/l) Variação semanal do PPI
até 04/09 R$ 5,76 R$ 6,29 +5,77%
até 11/09 R$ 6,02 R$ 6,51 +3,55%
até 18/09 R$ 5,71 R$ 6,98 +7,22%
até 25/09 R$ 6,24 R$ 6,63 −5,09%

Em setembro, o PPI subiu três semanas seguidas, de R$ 6,29 para R$ 6,98, e recuou para R$ 6,63 na última semana do mês. A distância entre o PPI e a cotação do Golfo variou bastante, de R$ 0,39 a R$ 1,27 por litro; a síntese não detalha o que compõe essa diferença a cada semana.

Para quem roda, o indicador importa porque o diesel importado só chega se quem o traz conseguir vendê-lo por algo próximo desse custo. Quando o preço praticado no mercado interno fica muito abaixo da paridade, importar deixa de compensar sem algum tipo de compensação, e o abastecimento passa a depender mais da produção nacional e de medidas como a subvenção.

0,01,63,24,86,48,0012234Semana de setembro de 2026 (1 a 4)R$ por litroPPI médioDiesel Costa do GolfoDiesel A nacional (realização)
Figura 1. Paridade de importação, cotação do Golfo e preço de realização do diesel A S10 nas quatro semanas de setembro de 2026. Fonte: ANP, síntese semanal 40/2026.

Por que o diesel nacional está tão abaixo

O preço de realização é o que produtores e importadores recebem pelo diesel A, antes da mistura com biodiesel, de tributos e das margens. A ANP registrou R$ 3,54, R$ 3,51, R$ 3,55 e R$ 3,80 nas quatro semanas até 27 de setembro, uma alta de 7,0% só na última.

A distância para o PPI tem relação com a política de subvenção. Em 16 de setembro, a Petrobras anunciou aumento de R$ 1,00 por litro no diesel A a partir do dia 17, compensado por desconto do mesmo valor com base na subvenção federal, o que manteve inalterado o preço efetivo às distribuidoras. Ou seja: parte do custo de mercado está sendo paga pelo Tesouro, não pelo consumidor. Os detalhes da subvenção estão em reportagem própria do Radar.

Área portuária com tanques de armazenamento em dia nublado
Figura 2. Terminal com tanques: diesel importado chega pelos portos antes de seguir para as distribuidoras. Foto: Alex Waldbrand / Unsplash

O que o PPI diz sobre o custo da viagem

A paridade não é preço de bomba e não é previsão. Serve como termômetro: quanto maior a distância entre ela e o preço nacional, maior a pressão por reajuste se a subvenção acabar ou se a importação ficar mais cara. A conta abaixo é uma simulação aritmética: repassa à bomba a diferença entre o PPI (R$ 6,63) e o diesel A (R$ 3,80), multiplicada pelos 85% de diesel A no diesel B, sem impostos adicionais. O resultado é R$ 2,41 por litro.

Distância Litros (2,5 km/l) Diesel a R$ 7,35 Com a diferença repassada (R$ 9,76) A mais
500 km 200 R$ 1.470 R$ 1.951 R$ 481
1.000 km 400 R$ 2.940 R$ 3.902 R$ 962
2.000 km 800 R$ 5.880 R$ 7.804 R$ 1.924
3.000 km 1.200 R$ 8.820 R$ 11.707 R$ 2.887

O cenário extremo não deve ser lido como aposta. Ele mostra o tamanho do risco que um contrato com preço travado por 12 meses carrega: num mês de 10 mil km, a diferença seria de R$ 9.622 por carreta.

Diesel a R$ 7,35 (média ANP)R$ 2.940Com diferença PPI repassadaR$ 3.902
Figura 3. Gasto com diesel numa viagem de 1.000 km a 2,5 km/l: preço médio atual e simulação com a diferença entre PPI e diesel A repassada à bomba. Simulação aritmética, não previsão.

Como usar o PPI na negociação

Perguntas frequentes

O que é PPI do diesel?

É a paridade de preço de importação, a estimativa da ANP de quanto custaria trazer o diesel do exterior, partindo da cotação na Costa do Golfo dos EUA.

Quanto estava o PPI em setembro?

R$ 6,63 por litro na semana até 25/09, depois de chegar a R$ 6,98 na semana até 18/09.

Por que o diesel nacional está mais barato?

O diesel A foi realizado a R$ 3,80 na semana até 27/09. Parte da diferença é coberta pela subvenção federal, que compensou o aumento de R$ 1,00 anunciado pela Petrobras em setembro.

O diesel vai subir até a paridade?

Não há como afirmar. Na simulação aritmética, se toda a diferença chegasse à bomba, o litro subiria R$ 2,41 e uma viagem de 1.000 km custaria R$ 962 a mais.

Onde vejo o PPI toda semana?

Na síntese semanal de preços da ANP, que traz PPI, cotação do Golfo e preços de realização.

Para medir o efeito de um novo preço do diesel no seu frete, use a calculadora de custo da viagem.

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Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

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