Transporte de cargas: volume cai 2,3% e receita sobe
Na Pesquisa Mensal de Serviços de julho, divulgada pelo IBGE em 10 de setembro, o transporte rodoviário de cargas transportou menos que um ano antes, mas faturou mais. A diferença entre receita e volume indica frete mais caro, e o diesel subiu ainda mais. Fizemos a conta numa viagem.
O caso: uma transportadora fez menos viagens em julho de 2026 do que em julho de 2025, mas o faturamento cresceu. O dono quer saber se isso é sinal de que o frete melhorou de verdade ou se o custo engoliu o aumento.
Resposta curta: o IBGE mostra o mesmo padrão no país inteiro. O volume de serviços do transporte rodoviário de cargas caiu 2,3% contra julho de 2025, enquanto a receita nominal subiu 8,1%. Dividindo uma pela outra, o preço médio implícito subiu cerca de 10,6%. O óleo diesel, no IPCA, subiu 13,98% nos 12 meses até julho. Numa viagem redonda de 1.600 km com as nossas premissas, o saldo passou de R$ 2.653 para R$ 2.935.
O que a pesquisa mostrou
A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mede todo mês a receita das empresas de serviços e, descontada a inflação dos preços de cada atividade, o volume. O IBGE divulgou os dados de julho de 2026 em 10 de setembro. O setor de transportes, serviços auxiliares e correio cresceu 0,4% sobre junho, e o índice de transporte de cargas, que reúne os modais, subiu 1,0% no mês. Mesmo assim, esse índice está 4,7% abaixo do pico de sua série, registrado em julho de 2023, e caiu 1,1% contra julho de 2025.
O recorte do rodoviário de cargas só é publicado na comparação com o mesmo mês do ano anterior e nos acumulados:
| Atividade | Volume, julho/26 contra julho/25 | Receita nominal, mesma comparação | Volume no ano | Volume em 12 meses |
|---|---|---|---|---|
| Serviços, total | 0,9% | 7,1% | 1,9% | 2,4% |
| Transportes, auxiliares e correio | −2,7% | 6,9% | −1,4% | 0,4% |
| Transporte terrestre | −0,1% | 8,0% | 1,2% | 2,4% |
| Rodoviário de cargas | −2,3% | 8,1% | 0,9% | 2,9% |
| Armazenagem, auxiliares e correio | −1,4% | 3,7% | −2,4% | −1,9% |
No acumulado de janeiro a julho, o rodoviário de cargas ainda transportou 0,9% mais que em 2025, com receita 7,9% maior. Em 12 meses, o volume cresce 2,9% e a receita 7,1%.
Receita sobe, volume cai: o preço
Se a receita cresce mais que o volume, a diferença é preço. A conta é (1 + variação da receita) ÷ (1 + variação do volume) − 1. Ela não é um índice oficial de frete, porque o IBGE usa deflatores próprios, mas aproxima o reajuste médio cobrado pelas empresas pesquisadas.
| Mês de 2026 | Volume | Receita nominal | Preço implícito |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 2,8% | 1,9% | -0,9% |
| Fevereiro | 0,9% | -1,9% | -2,8% |
| Março | 5,9% | 12,7% | 6,4% |
| Abril | 0,6% | 12,5% | 11,8% |
| Maio | -2,5% | 8,4% | 11,2% |
| Junho | 1,5% | 13,2% | 11,5% |
| Julho | -2,3% | 8,1% | 10,6% |
O salto do preço implícito começa em março, exatamente o mês em que o diesel subiu 13,90% no IPCA. Desde então, o reajuste médio do frete ficou entre 6,4% e 11,8% sobre o ano anterior, sempre abaixo da alta de 12 meses do diesel, que passou de 15% em abril e estava em 13,98% em julho.
A conta numa viagem
Para ver o que isso faz com a margem, tomamos uma viagem redonda de 1.600 km (ida e volta) com carreta a 2,5 km/l, pedágios de R$ 420 e R$ 1.800 de outras despesas da viagem (motorista, pneus e manutenção rateados), tudo valor de exemplo. Em julho de 2025, o frete era de R$ 9.000. Para 2026, aplicamos o preço implícito da PMS ao frete, a alta de 13,98% do diesel ao combustível (diesel de R$ 7,35, média da ANP na semana de 27/9 a 3/10, e de R$ 6,45 um ano antes, por dedução) e o IPCA de 12 meses até julho (4,44%) aos pedágios e às outras despesas.
| Item | Julho de 2025 | Julho de 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Frete recebido | R$ 9.000 | R$ 9.958 | 10,6% |
| Diesel (640 litros) | R$ 4.127 | R$ 4.704 | 14,0% |
| Pedágios | R$ 420 | R$ 439 | 4,4% |
| Outras despesas | R$ 1.800 | R$ 1.880 | 4,4% |
| Saldo da viagem | R$ 2.653 | R$ 2.935 | 10,6% |
Nesse exemplo, o frete médio mais alto mais que compensou o diesel e o saldo cresceu. O resultado depende do peso do combustível: numa operação com frete mais apertado, em que o diesel come uma fatia muito maior do valor recebido, a mesma alta de preço não basta. Mantidos pedágio e outras despesas na proporção do exemplo (25% do frete), o saldo da viagem só encolhe em reais se o diesel passar de 68% do valor do frete. No exemplo, ele era 46% em julho de 2025. Quem roda com frete próximo do piso, longas distâncias e pouco retorno carregado costuma estar mais perto desse limite, e é aí que o reajuste médio de 10,6% não protege a margem.
O que acompanhar
- PMS de agosto: sai em 14 de outubro e mostra se o volume voltou a crescer.
- Sua receita por viagem: compare com o preço implícito do setor; se ficou abaixo, o seu frete perdeu para a média.
- Custo por viagem: o diesel é o item que mais subiu; refaça a conta da viagem com o preço da semana.
Perguntas frequentes
O transporte rodoviário de cargas cresceu em julho de 2026?
Em volume, caiu 2,3% contra julho de 2025. Em receita, subiu 8,1%. No ano, o volume acumula alta de 0,9%, segundo o IBGE.
O que é o preço implícito?
É a receita dividida pelo volume. Em julho, (1,081 ÷ 0,977) − 1 = 10,6%. Não é índice oficial, mas aproxima o reajuste médio do frete.
O frete subiu mais que o diesel?
Não. O preço implícito subiu 10,6% e o diesel 13,98% nos 12 meses até julho, no IPCA.
Quando sai o próximo dado?
O IBGE divulga a PMS de agosto em 14 de outubro de 2026.
Para fazer a conta da sua viagem com o diesel de hoje, use a calculadora de custo da viagem.
Faça a conta: Custo da viagem →
Fontes e referências
- IBGE — Release "Volume de serviços fica estável (0,0%) em julho" (10/09/2026) — Transportes +0,4% no mês; transporte de cargas +1,0% no mês, −1,1% no ano a ano e 4,7% abaixo do pico de julho de 2023
- IBGE — Sidra, tabela 8688: PMS por atividade, volume e receita (julho de 2026) — Rodoviário de cargas: volume −2,3% e receita +8,1% contra julho de 2025; acumulados no ano e em 12 meses
- IBGE — Sidra, tabela 8688: rodoviário de cargas mês a mês (jan. a jul. de 2026) — Variações de volume e receita contra o mesmo mês de 2025
- IBGE — Sidra, tabela 7060: óleo diesel no IPCA, acumulado em 12 meses — Diesel +13,98% em 12 meses até julho de 2026
- IBGE — Pesquisa Mensal de Serviços (página e calendário) — Próxima divulgação, de agosto, em 14/10/2026
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