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Indústria cai 0,6% em agosto: o que muda no frete

A Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, divulgada em 2 de outubro, mostrou queda de 0,6% na produção de agosto, a terceira em quatro meses. Separamos os ramos que mais geram carga para o caminhão e calculamos o efeito de rodar menos sobre o custo por km.

Galpão industrial amplo com estrutura metálica verde e amarela
Galpão industrial: a produção caiu 0,6% em agosto e está 3,1% abaixo do nível de abril. Foto: Vladislav Glukhotko / Unsplash

O caso: uma transportadora de São Paulo atende fábricas de embalagens, químicos e máquinas com carretas de 6 eixos. Em agosto e setembro, os embarques diminuíram e os caminhões passaram mais tempo parados à espera de carga.

Resposta curta: o IBGE confirma o quadro: a produção industrial caiu 0,6% em agosto sobre julho e está 3,1% abaixo do pico do ano, em abril. Químicos (−3,8%), borracha e plástico (−4,6%) e máquinas (−8,0%) produziram menos que em agosto de 2025. Para uma carreta que cai de 10.000 para 9.000 km por mês, o custo total sobe de R$ 5,409 para R$ 5,613 por km, porque os custos fixos se espalham por menos quilômetros.

O que o IBGE mostrou

A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de agosto de 2026 registrou queda de 0,6% na comparação com julho, já descontados os efeitos sazonais. Foi o terceiro resultado negativo em quatro meses: depois de subir até abril, a indústria caiu 1,0% em maio, 1,6% em junho, ficou quase parada em julho (+0,1%) e voltou a cair em agosto. Dos 25 ramos pesquisados, 16 recuaram.

Contra agosto de 2025, a produção caiu 1,2%. No acumulado do ano, ainda há alta de 0,8%, e em 12 meses, de 0,6%. Todas as grandes categorias recuaram no mês: bens de consumo semi e não duráveis (−1,7%), duráveis (−1,0%), bens de capital (−0,6%) e bens intermediários (−0,2%). Os intermediários, como aço, cimento, papel e químicos, são os que mais rodam de caminhão entre fábricas.

024487296120023468Mês de 2026 (1 = janeiro)Índice (2022 = 100)Indústria geral, com ajuste sazonal
Figura 1. Índice de produção física da indústria geral com ajuste sazonal, janeiro a agosto de 2026. Fonte: IBGE, PIM-PF, tabela 8888.

Os ramos que mais geram carga

Nem toda indústria pesa igual para o transporte rodoviário. Abaixo, ramos que costumam gerar muita carga rodoviária, com a variação contra o mesmo mês do ano anterior e a de 12 meses:

Atividade Agosto/26 contra agosto/25 Acumulado em 12 meses
Veículos, reboques e carrocerias 6,6% 1,5%
Metalurgia 3,7% 0,3%
Indústrias extrativas 2,4% 6,3%
Minerais não metálicos (cimento, vidro, cerâmica) 1,0% 0,3%
Produtos alimentícios -1,0% 1,9%
Derivados de petróleo e biocombustíveis -1,0% -1,0%
Celulose e papel -1,4% -0,6%
Produtos químicos -3,8% -3,1%
Borracha e plástico -4,6% 0,5%
Máquinas e equipamentos -8,0% -4,8%

O retrato é misto. Veículos (+6,6%) e metalurgia (+3,7%) seguem produzindo mais que há um ano, o que sustenta frete de aço, autopeças e carros novos em cegonheiras. Na outra ponta, máquinas e equipamentos, químicos e plásticos recuaram. Alimentos, o ramo que mais movimenta carga refrigerada e seca, caiu 1,0% contra agosto de 2025, mas subiu 1,0% sobre julho.

Por estado, a queda de agosto chegou a dez dos 15 locais pesquisados, segundo o recorte regional divulgado em 8 de outubro. São Paulo recuou 0,2%, Goiás 1,1% e Rio Grande do Sul 4,5%; Paraná e Mato Grosso subiram 1,0%.

Veículos, reboques e carrocerias6,6%Metalurgia3,7%Indústrias extrativas2,4%Minerais não metálicos (cimento, vidro, cerâmica)1,0%Produtos alimentícios-1,0%Derivados de petróleo e biocombustíveis-1,0%Celulose e papel-1,4%Produtos químicos-3,8%Borracha e plástico-4,6%Máquinas e equipamentos-8,0%
Figura 2. Produção física de agosto de 2026 contra agosto de 2025, por atividade industrial selecionada. Fonte: IBGE, PIM-PF, tabela 8888.
Interior escuro de fábrica com feixe de luz entrando pelo telhado
Figura 3. Fábrica em penumbra: menos produção significa menos carga para despachar e mais disputa por frete. Foto: Michael Bai / Unsplash

Quanto pesa rodar menos

A produção industrial não se transforma em frete na mesma proporção, mas menos carga nas fábricas significa menos viagens oferecidas e mais caminhões disputando o mesmo embarque. O efeito no caixa aparece no custo fixo: parcela, salário, seguro e rastreador são pagos com ou sem carga.

Premissas de uma carreta com motorista contratado: parcela de R$ 9.000, salário de R$ 4.200 com 70% de encargos, seguro de R$ 1.500 por mês, rastreador de R$ 250, IPVA e licenciamento de R$ 6.000 por ano, diesel S10 a R$ 7,35/l (média da ANP na semana de 27/9 a 3/10), 2,5 km/l, ARLA 32 a 5% e R$ 4,00/l, pneus a R$ 0,25/km e manutenção a R$ 0,30/km. Frete médio de R$ 6,00 por km rodado no mês, já contando os trechos vazios (exemplo).

Rodagem mensal Custo fixo por km Custo total por km Margem por km Resultado do mês
10.000 km R$ 1,839 R$ 5,409 R$ 0,591 R$ 5.910
9.500 km R$ 1,936 R$ 5,506 R$ 0,494 R$ 4.695
9.000 km R$ 2,043 R$ 5,613 R$ 0,387 R$ 3.480
8.500 km R$ 2,164 R$ 5,734 R$ 0,266 R$ 2.265

O ponto de equilíbrio dessa carreta, com frete de R$ 6,00 por km, é de 7.568 km por mês. Cada 500 km a menos tiram cerca de R$ 1.215 do resultado do mês, porque o que se perde é o frete inteiro menos só o custo variável (R$ 3,570 por km).

Com menos carga no mercado, a tentação é aceitar frete menor para não ficar parado. O limite legal continua sendo o piso mínimo da ANTT: para carga geral em carreta de 6 eixos numa viagem de 500 km, o piso é de R$ 4.439,28, ou R$ 8,88 por km carregado. Como parte da rodagem do mês é vazia, a média por km rodado fica abaixo desse valor, mas cada viagem carregada precisa respeitar o piso.

O que acompanhar

Perguntas frequentes

Quanto a indústria caiu em agosto de 2026?

0,6% sobre julho, com ajuste sazonal, e 1,2% sobre agosto de 2025. No ano, a produção ainda acumula alta de 0,8%.

Quais setores cresceram?

Contra agosto de 2025, veículos (+6,6%), metalurgia (+3,7%), extrativas (+2,4%) e minerais não metálicos (+1,0%), entre os ramos que mais geram carga.

Quanto sobe o custo por km se eu rodar 10% menos?

No exemplo, de R$ 5,409 para R$ 5,613 por km, alta de 3,8%, só pela diluição dos custos fixos.

Queda da indústria derruba o piso da ANTT?

Não. O piso depende dos custos de operação, como diesel, e não da demanda. O que cai em período fraco é o frete negociado acima do piso.

Para encontrar o seu ponto de equilíbrio em km por mês, use a calculadora de custo por km.

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Fontes e referências

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