M▪MOVENDOBRASILPARA QUEM MOVE O PAÍS
Economia do setor

RenovaBio 2027-2036: o que a consulta muda no diesel

O Ministério de Minas e Energia abriu em 15 de setembro a consulta pública das metas de descarbonização do RenovaBio para 2027 a 2036. As distribuidoras de combustível cumprem essas metas comprando CBIOs, e esse custo entra na formação do preço do diesel.

Lavoura verde sob céu azul
Lavoura: biocombustíveis certificados geram os CBIOs que as distribuidoras precisam comprar para cumprir as metas. Foto: Braden Egli / Unsplash

O caso: o dono de uma transportadora leu que o governo vai definir metas de descarbonização até 2036 e quer saber se isso encarece o diesel, de que forma e quanto, para colocar o tema na conversa de reajuste com os clientes.

Resposta curta: o RenovaBio obriga as distribuidoras a comprar Créditos de Descarbonização (CBIOs) na proporção da sua fatia no mercado de combustíveis fósseis; esse custo vai para o preço do diesel junto com os demais. A consulta do MME vai até 29 de outubro. Como referência, cada 2 centavos por litro repassados representam R$ 80 por mês numa carreta que roda 10 mil km, ou R$ 0,008 por km.

O que está em consulta

Em 15 de setembro de 2026, o MME abriu a Consulta Pública nº 232/2026 com a proposta de metas anuais de redução de emissões de gases de efeito estufa para o período de 2027 a 2036. É o oitavo ciclo de definição de metas da Política Nacional de Biocombustíveis. A consulta dura 45 dias, com prazo informado pelo ministério até 29 de outubro, e as contribuições são enviadas pelo Portal de Consultas Públicas do MME.

Segundo o ministério, a proposta pode levar a uma redução de 12,1% na intensidade de carbono da matriz brasileira de combustíveis em 2036, na comparação com 2018. Entre os documentos publicados estão o relatório de Análise de Impacto Regulatório, os modelos usados, planilhas e memórias de cálculo, a estimativa de emissão de CBIOs para 2027 e a proposta de metas para a década. O MME diz ter considerado a oferta de combustíveis, a previsibilidade do mercado de CBIOs, o equilíbrio do programa e a proteção do consumidor.

Como a meta vira custo

O mecanismo tem três passos:

  1. O governo fixa uma meta nacional para cada ano, em ciclos de dez anos atualizados periodicamente.
  2. A meta nacional é dividida em metas individuais das distribuidoras, conforme a participação de cada uma no mercado de combustíveis fósseis.
  3. Cada distribuidora cumpre a sua comprando e aposentando CBIOs. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ equivalente evitada e é emitido por produtores certificados de biocombustíveis.

Para quem abastece, o efeito é indireto: o CBIO é um custo da distribuidora, como frete e armazenagem, e chega à bomba pela margem que ela cobra dos postos. Quanto mais alta a meta e mais caro o CBIO, maior a pressão.

Ano Preço médio do CBIO na B3 Variação sobre o ano anterior
2020 R$ 43,48 –
2021 R$ 39,31 -9,6%
2022 R$ 111,63 +184,0%
2023 R$ 114,17 +2,3%
2024 R$ 88,02 -22,9%
2025 R$ 54,72 -37,8%

Os números são da apresentação da ANP de março de 2026. O preço caiu à metade entre 2023 e 2025. A mesma apresentação registra 163 distribuidoras com meta individual em 2025, das quais 33 não cumpriram o prazo, com apuração ainda em andamento por causa de decisões liminares, e mais de 206 milhões de CBIOs emitidos desde o início do programa até 19 de fevereiro de 2026.

2020R$ 43,482021R$ 39,312022R$ 111,632023R$ 114,172024R$ 88,022025R$ 54,72
Figura 1. Preço médio anual do CBIO negociado na B3, 2020 a 2025. Fonte: apresentação da ANP sobre o RenovaBio, 03/03/2026.
Silhueta de cavalo de pau de extração de petróleo ao pôr do sol
Figura 2. A meta do RenovaBio recai sobre quem vende combustível fóssil, proporcionalmente à fatia de cada distribuidora. Foto: Zbynek Burival / Unsplash

Quanto isso pesa na carreta

Nem o MME nem a ANP publicam quanto o CBIO representa por litro de diesel, porque isso depende da meta de cada distribuidora, do preço pago e de quanto ela repassa. Por isso, a tabela trabalha com valores de exemplo, de 1 a 5 centavos por litro, aplicados a uma carreta de 6 eixos a 2,5 km/l com o S10 a R$ 7,35 (média ANP de 27/09 a 03/10):

Custo repassado por litro (exemplo) Por km Viagem de 1.000 km Mês (10 mil km) Ano
R$ 0,01 R$ 0,004 R$ 4,00 R$ 40 R$ 480
R$ 0,02 R$ 0,008 R$ 8,00 R$ 80 R$ 960
R$ 0,03 R$ 0,012 R$ 12,00 R$ 120 R$ 1.440
R$ 0,05 R$ 0,020 R$ 20,00 R$ 200 R$ 2.400

Com as premissas de custo fixo da nossa calculadora (parcela de R$ 9.000, seguro de R$ 1.500, motorista a R$ 4.500 com 70% de encargos, pneus e manutenção a R$ 0,55 por km), o custo total da carreta é de R$ 5,44 por km. Dois centavos a mais no litro levam esse número a R$ 5,45: uma alta de 0,15%. É pouco perto de uma alta de refinaria, mas é permanente e cresce com a meta.

050100150200250012345Custo repassado (centavos por litro)R$ por mêsCusto extra por mês
Figura 3. Quanto cada centavo por litro de custo regulatório pesa por mês numa carreta que consome 4.000 litros. Valores de exemplo.

O que acompanhar

Perguntas frequentes

O caminhoneiro precisa comprar CBIO?

Não. A obrigação é das distribuidoras de combustíveis, proporcional à fatia de cada uma no mercado de fósseis.

O RenovaBio aumenta o preço do diesel?

O custo dos CBIOs é da distribuidora e entra na formação de preço. O MME e a ANP não divulgam um valor por litro; nos exemplos, cada centavo repassado custa R$ 40 por mês numa carreta de 10 mil km.

Até quando posso opinar na consulta?

Até 29 de outubro de 2026, pelo Portal de Consultas Públicas do MME, segundo o ministério.

Qual a meta para 2036?

A proposta pode levar a uma redução de 12,1% na intensidade de carbono da matriz de combustíveis em 2036, em relação a 2018.

Quanto custou um CBIO em 2025?

Em média R$ 54,72 na B3, segundo a ANP, abaixo dos R$ 88,02 de 2024.

Para ver como alguns centavos a mais no litro mudam o seu custo por quilômetro, use a calculadora de custo por km.

Faça a conta: Custo por km →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

Leia também