Alumínio reciclado é 54% do consumo: a conta do frete
A reciclagem já abastece mais da metade do alumínio usado no país, e quase toda essa sucata passa por caminhões antes de virar metal de novo. O problema é que latas e retalhos ocupam muito espaço e pesam pouco, e isso muda a conta do frete.
O caso: um sucateiro do interior junta latas e retalhos de alumínio prensados em fardos e contrata uma carreta de seis eixos para levar a carga até uma recicladora a cerca de 300 km (distância aproximada). Ele quer pagar o frete por tonelada e não entende por que o transportador cobra mais por tonelada do que cobra para levar metal em lingote.
Resposta curta: a sucata leve enche o implemento antes de atingir o limite de peso. Num baú de 90 m³ (premissa), fardos com densidade de exemplo de 0,15 t/m³ somam 13,5 t; o piso da ANTT da viagem, R$ 2.932,34, sai a R$ 217,21 por tonelada. Com a carreta cheia de peso (32,5 t), o mesmo piso cai para R$ 90,23 por tonelada.
O que a ABAL informou
Em comunicado de 8 de setembro de 2026, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) informou que 54% do volume de alumínio consumido no Brasil em 2025 veio de fontes secundárias, ou seja, de reciclagem. Com o consumo de 1,88 milhão de toneladas de transformados registrado pela associação, isso equivale a cerca de 1.015 mil toneladas de metal reciclado, numa conta nossa e aproximada. A associação lembra que reciclar alumínio exige cerca de 95% menos energia do que produzir o metal primário.
Em julho, ao divulgar o anuário, a ABAL havia citado que "cerca de 57%" do consumo brasileiro é atendido por alumínio reciclado, mais que o dobro da média mundial. Os comunicados não explicam a diferença de base entre os dois números; usamos o de setembro, que traz o ano de referência.
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Consumo de transformados em 2025 | 1,88 milhão de t | ABAL, 8/9/2026 |
| Parcela de fontes secundárias em 2025 | 54% | ABAL, 8/9/2026 |
| Volume reciclado estimado | 1.015 mil t | cálculo nosso |
| Equivalente em cargas de 25 t | 40.608 | cálculo nosso |
| Energia da reciclagem frente ao primário | cerca de 95% menor | ABAL, 8/9/2026 |
Por que a sucata é carga de volume
Embalagens respondem por cerca de um terço do consumo de alumínio no país, segundo a ABAL, e a lata pós-consumo é uma das sucatas mais coletadas. Solta, a lata ocupa muito espaço; prensada, vira fardo; derretida, vira lingote ou placa. Cada etapa aumenta a densidade e reduz o custo de transporte por tonelada. Retalhos industriais, perfis e cavacos têm densidades diferentes, e a única forma confiável de saber quanto cabe é pesar uma carga real.
A tabela simula um baú ou caçamba de 90 m³ numa carreta de seis eixos com tara de 16 t (premissa), limite de peso bruto de 48,5 t e carga útil máxima de 32,5 t. As densidades são exemplos, não medições.
| Densidade do fardo (exemplo) | Carga que cabe | Limita por | Piso por tonelada (300 km) |
|---|---|---|---|
| 0,15 t/m³ | 13,5 t | volume | R$ 217,21 |
| 0,25 t/m³ | 22,5 t | volume | R$ 130,33 |
| 0,35 t/m³ | 31,5 t | volume | R$ 93,09 |
| 0,45 t/m³ | 32,5 t | peso | R$ 90,23 |
O piso da ANTT é por viagem: R$ 2.932,34 para 300 km em carga geral com seis eixos, não importa se a carreta leva 13,5 ou 32,5 t. Quando a carga é limitada pelo volume, o custo por tonelada sobe na mesma proporção em que a densidade cai. Com fardos de 0,15 t/m³, o piso por tonelada é 2,4 vezes o de fardos de 0,45 t/m³.
A primeira perna: a coleta
Antes da carreta, a sucata costuma viajar em caminhões menores, do ponto de coleta ao depósito onde é prensada. Nessa etapa a carga é ainda mais leve. Para um caminhão de dois eixos que leva 3 t de latas soltas e retalhos (premissa) por 100 km, o piso da ANTT de carga geral é R$ 859,22, ou R$ 286,41 por tonelada, acima de qualquer piso por tonelada da carreta da tabela anterior, que roda 300 km. É por isso que prensar perto da origem reduz o custo logístico de toda a cadeia.
O que isso não diz
O frete calculado aqui não diz nada sobre o preço da sucata. A cotação do alumínio primário na LME (US$ 3.055,50 por tonelada em 9/10, na tabela comercial da Shock Metais) é uma referência do metal novo; a sucata é negociada com desconto que varia com tipo, limpeza, região e demanda das recicladoras. Este texto não estima nem promete preço de sucata.
Checklist para contratar ou aceitar a carga
- Peça o peso de balança da última carga semelhante, e não só o número de fardos.
- Combine o frete pelo total da viagem ou garanta, no preço por tonelada, que a soma não fique abaixo do piso.
- Verifique a amarração dos fardos e a cobertura da carga: lona evita perda e reclamação de sujeira na estrada.
- Exija a nota fiscal ou documento de origem da sucata: carga sem documentação é risco para o transportador.
Perguntas frequentes
Quanto do alumínio usado no Brasil é reciclado?
Segundo a ABAL, 54% do volume consumido em 2025 veio de fontes secundárias. Em julho, a associação havia citado cerca de 57%, sem detalhar a base.
Quanto isso representa em toneladas?
Cerca de 1.015 mil toneladas, aplicando 54% ao consumo de 1,88 milhão de toneladas. A conta é nossa.
Por que o frete por tonelada da sucata é mais caro?
Porque a carga leve enche o implemento antes do limite de peso. Com 13,5 t, o piso de 300 km sai a R$ 217,21 por tonelada; com 32,5 t, a R$ 90,23.
Prensar a sucata ajuda?
Sim. Quanto maior a densidade, mais toneladas por viagem e menor o custo por tonelada, até o limite de peso da carreta.
Qual o preço da sucata de alumínio?
Não informamos. Ele varia por tipo e região e não segue a LME um para um. Consulte compradores da sua região.
Para converter o frete da sua carga de sucata em reais por tonelada e comparar com o piso, use a calculadora de frete por tonelada.
Faça a conta: Frete por tonelada →
Fontes e referências
- ABAL — A transição energética pode impulsionar o consumo de alumínio (08/09/2026) — 54% do volume consumido em 2025 de fontes secundárias, 1,88 milhão de t de consumo e economia de cerca de 95% de energia na reciclagem
- ABAL — Indústria do alumínio resiste ao cenário global adverso, mas importados avançam no mercado nacional (15/07/2026) — Cerca de 57% do consumo atendido por reciclado e embalagens como um terço do consumo
- Shock Metais (fonte comercial) — Cotações LME e dólar — Alumínio primário a US$ 3.055,50/t em 09/10/2026, apenas como referência
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Veja também no Sucata Brasil
- Preço da sucata hoje por kg — alumínio, cobre e outros metais pela LME, em R$/kg