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Sucata e metais

Alumínio reciclado é 54% do consumo: a conta do frete

A reciclagem já abastece mais da metade do alumínio usado no país, e quase toda essa sucata passa por caminhões antes de virar metal de novo. O problema é que latas e retalhos ocupam muito espaço e pesam pouco, e isso muda a conta do frete.

Latas de alumínio amassadas em centro de reciclagem
Latas em centro de reciclagem: soltas, ocupam muito espaço; prensadas em fardos, viram carga de caminhão. Foto: engin akyurt / Unsplash

O caso: um sucateiro do interior junta latas e retalhos de alumínio prensados em fardos e contrata uma carreta de seis eixos para levar a carga até uma recicladora a cerca de 300 km (distância aproximada). Ele quer pagar o frete por tonelada e não entende por que o transportador cobra mais por tonelada do que cobra para levar metal em lingote.

Resposta curta: a sucata leve enche o implemento antes de atingir o limite de peso. Num baú de 90 m³ (premissa), fardos com densidade de exemplo de 0,15 t/m³ somam 13,5 t; o piso da ANTT da viagem, R$ 2.932,34, sai a R$ 217,21 por tonelada. Com a carreta cheia de peso (32,5 t), o mesmo piso cai para R$ 90,23 por tonelada.

O que a ABAL informou

Em comunicado de 8 de setembro de 2026, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) informou que 54% do volume de alumínio consumido no Brasil em 2025 veio de fontes secundárias, ou seja, de reciclagem. Com o consumo de 1,88 milhão de toneladas de transformados registrado pela associação, isso equivale a cerca de 1.015 mil toneladas de metal reciclado, numa conta nossa e aproximada. A associação lembra que reciclar alumínio exige cerca de 95% menos energia do que produzir o metal primário.

Em julho, ao divulgar o anuário, a ABAL havia citado que "cerca de 57%" do consumo brasileiro é atendido por alumínio reciclado, mais que o dobro da média mundial. Os comunicados não explicam a diferença de base entre os dois números; usamos o de setembro, que traz o ano de referência.

Indicador Valor Fonte
Consumo de transformados em 2025 1,88 milhão de t ABAL, 8/9/2026
Parcela de fontes secundárias em 2025 54% ABAL, 8/9/2026
Volume reciclado estimado 1.015 mil t cálculo nosso
Equivalente em cargas de 25 t 40.608 cálculo nosso
Energia da reciclagem frente ao primário cerca de 95% menor ABAL, 8/9/2026
Reciclado (54%)1.015 mil tDemais fontes (46%)865 mil t
Figura 1. Consumo de alumínio no Brasil em 2025 por origem, estimado a partir do percentual de fontes secundárias informado pela ABAL.

Por que a sucata é carga de volume

Embalagens respondem por cerca de um terço do consumo de alumínio no país, segundo a ABAL, e a lata pós-consumo é uma das sucatas mais coletadas. Solta, a lata ocupa muito espaço; prensada, vira fardo; derretida, vira lingote ou placa. Cada etapa aumenta a densidade e reduz o custo de transporte por tonelada. Retalhos industriais, perfis e cavacos têm densidades diferentes, e a única forma confiável de saber quanto cabe é pesar uma carga real.

A tabela simula um baú ou caçamba de 90 m³ numa carreta de seis eixos com tara de 16 t (premissa), limite de peso bruto de 48,5 t e carga útil máxima de 32,5 t. As densidades são exemplos, não medições.

Densidade do fardo (exemplo) Carga que cabe Limita por Piso por tonelada (300 km)
0,15 t/m³ 13,5 t volume R$ 217,21
0,25 t/m³ 22,5 t volume R$ 130,33
0,35 t/m³ 31,5 t volume R$ 93,09
0,45 t/m³ 32,5 t peso R$ 90,23
Grande volume de latas de bebida acumuladas
Figura 2. Volume antes do peso: na sucata leve, o baú ou a caçamba enche antes de a carreta chegar ao limite da balança. Foto: engin akyurt / Unsplash

O piso da ANTT é por viagem: R$ 2.932,34 para 300 km em carga geral com seis eixos, não importa se a carreta leva 13,5 ou 32,5 t. Quando a carga é limitada pelo volume, o custo por tonelada sobe na mesma proporção em que a densidade cai. Com fardos de 0,15 t/m³, o piso por tonelada é 2,4 vezes o de fardos de 0,45 t/m³.

080160240320400000000Densidade da carga (t/m³)R$ por toneladaPiso por tonelada
Figura 3. Piso da ANTT por tonelada para 300 km (carga geral, 6 eixos) conforme a densidade da sucata num implemento de 90 m³; acima de 0,36 t/m³ a carga passa a ser limitada pelo peso.

A primeira perna: a coleta

Antes da carreta, a sucata costuma viajar em caminhões menores, do ponto de coleta ao depósito onde é prensada. Nessa etapa a carga é ainda mais leve. Para um caminhão de dois eixos que leva 3 t de latas soltas e retalhos (premissa) por 100 km, o piso da ANTT de carga geral é R$ 859,22, ou R$ 286,41 por tonelada, acima de qualquer piso por tonelada da carreta da tabela anterior, que roda 300 km. É por isso que prensar perto da origem reduz o custo logístico de toda a cadeia.

O que isso não diz

O frete calculado aqui não diz nada sobre o preço da sucata. A cotação do alumínio primário na LME (US$ 3.055,50 por tonelada em 9/10, na tabela comercial da Shock Metais) é uma referência do metal novo; a sucata é negociada com desconto que varia com tipo, limpeza, região e demanda das recicladoras. Este texto não estima nem promete preço de sucata.

Checklist para contratar ou aceitar a carga

Perguntas frequentes

Quanto do alumínio usado no Brasil é reciclado?

Segundo a ABAL, 54% do volume consumido em 2025 veio de fontes secundárias. Em julho, a associação havia citado cerca de 57%, sem detalhar a base.

Quanto isso representa em toneladas?

Cerca de 1.015 mil toneladas, aplicando 54% ao consumo de 1,88 milhão de toneladas. A conta é nossa.

Por que o frete por tonelada da sucata é mais caro?

Porque a carga leve enche o implemento antes do limite de peso. Com 13,5 t, o piso de 300 km sai a R$ 217,21 por tonelada; com 32,5 t, a R$ 90,23.

Prensar a sucata ajuda?

Sim. Quanto maior a densidade, mais toneladas por viagem e menor o custo por tonelada, até o limite de peso da carreta.

Qual o preço da sucata de alumínio?

Não informamos. Ele varia por tipo e região e não segue a LME um para um. Consulte compradores da sua região.

Para converter o frete da sua carga de sucata em reais por tonelada e comparar com o piso, use a calculadora de frete por tonelada.

Faça a conta: Frete por tonelada →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

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