Pedágio de caminhão por eixo: como calcular a conta
O pedágio do caminhão é a tarifa do carro multiplicada pelos eixos. Mostramos a conta numa carreta de 6 eixos, quanto se economiza com eixo suspenso na volta vazia, quem paga pelo vale-pedágio e o que a 6ª etapa de concessões federais pode mudar.
O caso: carreta de 6 eixos (cavalo 6x2 com semirreboque de 3 eixos) carregada numa viagem de 800 km que passa por 8 praças de pedágio. A tarifa básica (o valor do carro de passeio) é de R$ 10,00 em cada praça. O valor é uma premissa redonda para facilitar a conta, não uma tarifa real.
Resposta curta: a carreta paga 6 vezes a tarifa básica em cada praça, ou seja, R$ 60,00 por praça e R$ 480,00 na viagem. Na volta vazia, com um eixo suspenso, a conta cai para R$ 400,00. Quem paga o pedágio da carga é o embarcador, por meio do vale-pedágio, e esse valor não entra no frete.
Como a praça de pedágio enxerga o caminhão
Nas rodovias federais concedidas, a tarifa é cobrada por categoria de veículo, e a categoria depende do número de eixos e do tipo de rodagem. Cada categoria tem um multiplicador aplicado sobre a Tarifa Básica de Pedágio (TBP), que é o valor do automóvel (categoria 1).
Para veículo comercial de rodagem dupla, a regra prática é simples: cada eixo vale uma tarifa básica. Um caminhão de 2 eixos paga 2 vezes a TBP, uma carreta de 5 eixos paga 5 vezes, e assim por diante. A tabela abaixo segue as categorias publicadas pela ANTT nas páginas de tarifas das concessionárias federais. Os valores em reais usam a TBP hipotética de R$ 10,00.
| Categoria | Veículo típico | Eixos | Multiplicador | Por praça | 8 praças |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Automóvel, caminhonete, furgão | 2 (simples) | 1 | R$ 10,00 | R$ 80,00 |
| 2 | Caminhão leve (toco 4x2), ônibus, cavalo sozinho | 2 (dupla) | 2 | R$ 20,00 | R$ 160,00 |
| 4 | Truck 6x2, cavalo com semirreboque de 1 eixo | 3 (dupla) | 3 | R$ 30,00 | R$ 240,00 |
| 6 | Caminhão com reboque ou carreta de 4 eixos | 4 (dupla) | 4 | R$ 40,00 | R$ 320,00 |
| 7 | Carreta de 5 eixos (2S3, 3S2) | 5 (dupla) | 5 | R$ 50,00 | R$ 400,00 |
| 8 | Carreta de 6 eixos (3S3) | 6 (dupla) | 6 | R$ 60,00 | R$ 480,00 |
| 9 | Bitrem de 7 eixos (3S2S2) | 7 (dupla) | 7 | R$ 70,00 | R$ 560,00 |
| 10 | Combinação de 8 eixos | 8 (dupla) | 8 | R$ 80,00 | R$ 640,00 |
Combinações com mais eixos, como o rodotrem de 9 eixos, seguem a mesma lógica: cada eixo adicional soma uma tarifa básica. Com a TBP da premissa, o rodotrem pagaria R$ 90,00 por praça e R$ 720,00 nas 8 praças.
Duas observações evitam erro na hora de orçar:
- A TBP muda de praça para praça. Na mesma rodovia, cada praça pode ter um valor diferente. Some praça por praça, sem usar média de outra estrada.
- Rodagem simples e rodagem dupla não pagam igual. Uma caminhonete de 2 eixos com rodagem simples é categoria 1 (multiplicador 1). Um caminhão de 2 eixos com rodagem dupla é categoria 2 (multiplicador 2).
Passo a passo para orçar o pedágio da rota
- Liste as praças do trajeto, na ordem. Use o mapa da concessionária ou o site da ANTT, que publica as tarifas vigentes de cada concessão federal. Rodovias estaduais têm tabelas próprias, publicadas pelas agências estaduais (em São Paulo, a ARTESP).
- Anote a tarifa de cada praça para a sua categoria. Se a tabela só mostrar o valor do carro, multiplique pelo número de eixos do caminhão (rodagem dupla).
- Some ida e volta separadamente. Na volta vazia, o número de eixos cobrados pode ser menor (veja a seção sobre eixo suspenso).
- Confira o sentido da cobrança. Algumas praças cobram em um sentido só. Veja na tabela da concessionária para não contar a mesma praça duas vezes.
- Leve o total para a conta da viagem. A calculadora de custo da viagem tem um campo próprio para pedágio.
Quanto o pedágio pesa na viagem
Com diesel S10 a R$ 7,35 por litro, a média nacional da ANP na semana de 27 de setembro a 3 de outubro de 2026, e consumo de 2,3 km/l para a carreta carregada (premissa), a viagem de 800 km fica assim:
| Item | Valor |
|---|---|
| Diesel (348 litros) | R$ 2.556,52 |
| Pedágio (8 praças, 6 eixos) | R$ 480,00 |
| Total diesel + pedágio | R$ 3.036,52 |
| Custo por km (diesel + pedágio) | R$ 3,80 |
| Fatia do pedágio no total | 15,8% |
O piso mínimo da ANTT para carga geral com 6 eixos nessa distância é de R$ 6.699,69 (tabela A). Mas esse piso não inclui o pedágio. Pela Lei 10.209/2001, o vale-pedágio não integra o valor do frete. Quem compara o frete oferecido com o piso deve tirar o pedágio da conta, porque esse valor tem de vir à parte.
Eixo suspenso: quando a carreta paga menos
O artigo 17 da Lei 13.103/2015, na redação dada pela Lei 13.711/2018, isenta do pedágio os eixos mantidos suspensos por veículos de carga que circulem vazios. A regra vale em rodovias federais, estaduais, distritais e municipais, inclusive as concedidas. Nas federais, aplica-se a regulamentação da ANTT.
Na prática, com o mesmo trajeto de 8 praças:
| Situação da carreta de 6 eixos | Eixos cobrados | Pedágio na rota |
|---|---|---|
| Carregada, todos os eixos no chão | 6 | R$ 480,00 |
| Vazia, 1 eixo suspenso | 5 | R$ 400,00 |
| Vazia, 2 eixos suspensos | 4 | R$ 320,00 |
Ida carregada e volta vazia com um eixo suspenso somam R$ 880,00, contra R$ 960,00 se a carreta voltasse com todos os eixos no chão. São R$ 80,00 de diferença nessa rota.
A isenção vale só para caminhão vazio. A lei manda aplicar a penalidade do artigo 209 do Código de Trânsito a quem circula com eixo indevidamente suspenso, e a fiscalização pode verificar a situação da carga.
Vale-pedágio: o pedágio da carga é do embarcador
A Lei 10.209/2001 criou o vale-pedágio obrigatório. Os pontos que mais geram dúvida:
- Quem paga: o embarcador, isto é, o dono da carga que contrata o transporte. A lei equipara a ele a transportadora que subcontrata um autônomo.
- Quando: o vale tem de ser antecipado ao transportador, em modelo próprio, no valor necessário para ir da origem ao destino. O transportador não deve bancar o pedágio e esperar reembolso.
- Não é frete: o valor do vale-pedágio não integra o frete. Ele deve aparecer separado no documento eletrônico de transporte, como manda a redação dada pela Lei 14.206/2021.
- Se não pagar: o artigo 8º prevê que o embarcador indenize o transportador em duas vezes o valor do frete. O prazo para cobrar é de 12 meses a partir da data do transporte. A constitucionalidade desse artigo é questionada no STF (ADI 6031).
O que pode mudar nas novas concessões federais
Em 7 de outubro de 2026, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) informou que os projetos da 6ª etapa do programa federal de concessões rodoviárias adotam um multiplicador maior para veículos comerciais. Pela conta divulgada pela entidade, cada eixo de caminhão passa a valer 1,5 tarifa básica, e não mais uma. Um caminhão de 8 eixos passaria a pagar como se tivesse 12, e um de 9 eixos como se tivesse 13,5.
Segundo a CNT, a regra vale para os novos contratos e não altera automaticamente as tarifas das concessões já em operação. No projeto Rota Gerais, a entidade estima um aumento de cerca de 6% na tarifa final dos veículos comerciais, e não de 50%. Isso acontece porque a tarifa básica de cada projeto é calculada junto com o multiplicador. A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) estimou, em julho, R$ 42 bilhões a mais em pedágio ao longo dos contratos de sete projetos. Segundo a CNT, o Ministério dos Transportes justifica a mudança pelo impacto dos veículos comerciais sobre o pavimento.
A comparação abaixo mostra só o efeito do multiplicador, mantendo a mesma tarifa básica. É o teto teórico, e não a previsão de tarifa de nenhuma rodovia:
Com a estimativa de 6% da CNT para a Rota Gerais aplicada ao caso da carreta de 6 eixos, o pedágio da rota iria de R$ 480,00 para cerca de R$ 508,80. O número é só uma ordem de grandeza: cada contrato terá sua própria tabela.
Erros comuns ao calcular pedágio de caminhão
- Usar o valor do carro como se fosse o do caminhão. O painel da praça mostra várias categorias. Para orçar, procure a linha do seu número de eixos.
- Esquecer a volta. Quem orça só a ida subestima o custo da operação, mesmo com o desconto do eixo suspenso.
- Suspender eixo carregado para pagar menos. Além da multa, sobrecarrega os outros eixos. Confira com a calculadora de peso por eixo.
- Embutir o pedágio no frete. O vale-pedágio tem de vir separado e antecipado. Pedágio dentro do frete dificulta provar que o pagamento foi feito.
- Usar tabela antiga. Os contratos de concessão costumam prever reajuste anual, cada um numa data. Confira a tabela vigente na ANTT ou na agência estadual antes de fechar o preço.
Perguntas frequentes
Pedágio de caminhão é cobrado por eixo?
Sim. Para veículo comercial de rodagem dupla, cada eixo corresponde a uma tarifa básica nas concessões federais atuais. Uma carreta de 6 eixos paga 6 vezes o valor do carro de passeio em cada praça.
Caminhão vazio com eixo levantado paga pedágio pelo eixo suspenso?
Não. A Lei 13.103/2015 isenta os eixos suspensos de veículos de carga que circulem vazios, em qualquer rodovia do país. Carregado, o caminhão paga por todos os eixos, e circular com eixo indevidamente suspenso é infração.
Quem paga o pedágio no frete de carga?
O embarcador, por meio do vale-pedágio obrigatório da Lei 10.209/2001. O valor tem de ser antecipado ao transportador e não faz parte do frete.
O piso mínimo da ANTT já inclui o pedágio?
Não. O vale-pedágio não integra o frete. O piso da ANTT é a remuneração mínima do transporte, e o pedágio é pago à parte pelo contratante.
A nova regra da 6ª etapa já está valendo?
Segundo a CNT, o multiplicador maior vale para os contratos da 6ª etapa de concessões federais, à medida que as rodovias forem leiloadas e começarem a cobrar. As concessões em operação mantêm a tabela atual até que a ANTT aprove outra.
Onde consulto a tarifa oficial de cada praça?
Nas páginas de tarifas de cada concessão federal no site da ANTT. Para rodovias estaduais, consulte a agência reguladora do estado, como a ARTESP em São Paulo.
Leia também: Multiplicador do pedágio sobe: quanto o caminhão paga
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Fontes e referências
- ANTT – Tarifas de pedágio (Via Cristais): categorias e multiplicadores — Tabela de categorias 1 a 10 com eixos, rodagem e multiplicador usada nas concessões federais
- Lei nº 13.103/2015, art. 17 (redação da Lei nº 13.711/2018) — Isenção de pedágio para eixos suspensos de veículos de carga vazios; penalidade do art. 209 do CTB
- Lei nº 10.209/2001 – Vale-Pedágio obrigatório — Responsabilidade do embarcador, antecipação, valor fora do frete, indenização de 2x o frete (art. 8º, ADI 6031)
- CNT (republicado pela NTC&Logística) – Novo cálculo impacta cobrança de pedágio de veículos comerciais — Nota da Agência CNT de 07/10/2026: multiplicador da 6ª etapa, Rota Gerais ~6%, estimativa da ANUT de R$ 42 bi
- ANP – Levantamento de Preços de Combustíveis — Diesel S10 médio de R$ 7,35/l na semana de 27/09 a 03/10/2026 (via Reuters)
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