Alumínio importado chega a 12% do mercado, diz ABAL
A Associação Brasileira do Alumínio divulgou os números de 2025: produção primária no maior nível desde 2013, consumo estável e mais espaço para o produto importado. O setor de transporte, que usa alumínio em implementos e carrocerias, consumiu menos.
O caso: uma transportadora que atende laminadoras e extrusoras quer entender se a perda de espaço do alumínio nacional para o importado mexe no volume de carga e se vale considerar implementos com mais alumínio para ganhar carga útil.
Resposta curta: segundo a ABAL, o consumo de produtos transformados de alumínio foi de 1,883 milhão de toneladas em 2025 (−0,5%), e a fatia importada subiu de 11,2% para 12,0%, cerca de 226 mil toneladas, ou 9.038 cargas de 25 t. O setor de transportes consumiu 0,8% menos alumínio. Num exemplo hipotético, uma carreta 1,5 t mais leve ganha 1,5 t de carga útil por viagem.
O que diz o anuário
A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) divulgou em 15 de julho de 2026 os dados do Anuário Estatístico de 2025. A produção de alumínio primário cresceu 8,5% e chegou a 1,18 milhão de toneladas, o maior volume desde 2013. O faturamento da indústria somou R$ 168 bilhões (+10,6%), com R$ 6,8 bilhões de investimento e saldo comercial de US$ 3,3 bilhões, o sétimo positivo seguido.
O mercado interno ficou praticamente estável. O consumo de transformados, como chapas, folhas, perfis, fios e cabos, recuou 0,5% sobre o recorde de 2024. Os produtos de origem nacional caíram 1,3%, enquanto as importações de semimanufaturados e manufaturados subiram 5,9%. A China respondeu por 26,9% das importações do setor. Para a presidente-executiva da ABAL, Janaina Donas, "o desafio não está nos fundamentos, mas em garantir as condições para que nossos ativos gerem valor no Brasil".
| Indicador de 2025 | Valor | Variação sobre 2024 |
|---|---|---|
| Produção de alumínio primário | 1,18 milhão de t | +8,5% |
| Consumo de transformados | 1,883 milhão de t | −0,5% |
| Produtos de origem nacional | — | −1,3% |
| Importações de semi e manufaturados | — | +5,9% |
| Participação do importado | 12,0% | era 11,2% |
| Volume importado (estimativa) | 226 mil t | era 212 mil t |
A estimativa de volume importado é nossa: aplicamos as participações divulgadas ao consumo de cada ano. O consumo de 2024 foi deduzido a partir da queda de 0,5%. Ela indica alta de 6,6% no volume importado; a ABAL informa 5,9%, e a diferença vem do arredondamento das participações e do recorte de produtos.
Onde o alumínio cresceu e onde caiu
O setor elétrico foi o destaque, com alta de 10,2%, puxado pelos investimentos em transmissão e distribuição contratados nos leilões da ANEEL. Embalagens, que respondem por cerca de um terço do consumo nacional, subiram 0,7%. Os demais recuaram.
| Setor consumidor | Variação em 2025 |
|---|---|
| Eletricidade | +10,2% |
| Embalagens | +0,7% |
| Transportes | -0,8% |
| Construção civil | -3,4% |
| Bens de consumo | -6,6% |
| Máquinas e equipamentos | -10,5% |
Para quem transporta, a troca de origem importa porque muda a rota: o produto nacional sai de laminadoras e extrusoras, enquanto o importado entra por portos e fronteiras e segue para distribuidores e clientes. O volume total pouco mudou; o que se deslocou foram cerca de 14 mil toneladas a mais de importado, perto de 560 cargas de 25 t por ano.
Alumínio no próprio caminhão
O setor de transportes, que inclui veículos, implementos rodoviários e carrocerias, consumiu 0,8% menos alumínio em 2025. A vantagem do material para o transportador é a tara: cada tonelada a menos no conjunto vira carga útil dentro do mesmo limite da Lei da Balança. Num exemplo hipotético, comparamos uma carreta de seis eixos com tara de 16,0 t e outra, com mais componentes de alumínio, de 14,5 t. As taras são premissas; a diferença real depende do projeto de cada implemento.
| Conjunto de 6 eixos | Tara | Limite de peso bruto | Carga útil máxima |
|---|---|---|---|
| Implemento convencional | 16,0 t | 48,5 t | 32,5 t |
| Implemento mais leve | 14,5 t | 48,5 t | 34,0 t |
Se o frete for combinado por tonelada, as 1,5 t extras rendem receita a cada viagem. Tomando como base o piso da ANTT para 500 km, carga geral, dividido pela carga do implemento convencional (R$ 136,59 por tonelada), o ganho seria de R$ 204,89 por viagem, ou R$ 19.669 por ano com oito viagens por mês (premissa). O ganho só existe quando a carga é limitada por peso, como metal, grãos e minério; em carga volumosa e leve, a tara pesa menos.
A ABAL projeta espaço para crescer: o consumo per capita no Brasil foi de 8,8 kg por habitante, abaixo da média mundial de 13,3 kg, e o Instituto Internacional do Alumínio (IAI) estima alta de cerca de 40% na demanda global até 2030, puxada por energia, transporte e construção.
O que observar na operação
- Clientes que trocaram fornecedor nacional por importado mudam a origem da carga: vale revisar rotas, distâncias e retorno vazio nos contratos.
- Cabos e condutores para linhas de transmissão vão em bobinas de madeira ou metal, pesadas e concentradas; o setor elétrico foi o único com alta forte em 2025.
- Ao avaliar implemento mais leve, compare o ganho de carga útil com o preço e a manutenção do equipamento, e confirme a tara na balança, não no catálogo.
- O frete por tonelada só faz sentido conferido contra o piso da viagem: carga a mais não autoriza preço por tonelada abaixo do mínimo.
Perguntas frequentes
Quanto alumínio o Brasil consumiu em 2025?
1,883 milhão de toneladas de produtos transformados, 0,5% a menos que em 2024, segundo a ABAL.
Qual a fatia do alumínio importado?
12,0% em 2025, contra 11,2% em 2024. Pela nossa estimativa, cerca de 226 mil toneladas.
Quanto vale essa importação em cargas de carreta?
Cerca de 9.038 cargas de 25 t por ano, se todo o volume rodasse em carretas cheias.
Implemento de alumínio compensa?
Depende do preço do implemento e do tipo de carga. No exemplo, 1,5 t a mais rendem R$ 204,89 por viagem de 500 km pelo piso por tonelada.
Quanto vale a tonelada de alumínio hoje?
A referência LME de 9/10, na tabela comercial da Shock Metais, era US$ 3.055,50, ou cerca de R$ 15.314 com o dólar da tabela. O produto transformado custa mais.
Para simular quanto de carga cabe no seu conjunto com a tara real, use a calculadora de peso por eixo.
Fontes e referências
- ABAL — Indústria do alumínio resiste ao cenário global adverso, mas importados avançam no mercado nacional (15/07/2026) — Anuário 2025: consumo, importação, produção primária e consumo por setor
- ABAL — A transição energética pode impulsionar o consumo de alumínio (08/09/2026) — Consumo per capita de 8,8 kg e projeção do IAI de alta de cerca de 40% na demanda até 2030
- Shock Metais (fonte comercial) — Cotações LME e dólar — Alumínio a US$ 3.055,50/t e dólar de R$ 5,0119 na tabela de 09/10/2026
Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.
Veja também no Sucata Brasil
- Preço do alumínio hoje em R$/kg — a cotação da LME convertida em reais por quilo