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Leis e regulamentação

Free flow: multas suspensas só até 16 de novembro

A transição do Contran para o pedágio free flow, sem cancela, termina em 16 de novembro de 2026. Até lá, quem quitar as tarifas atrasadas tem multas e pontos cancelados. A partir de 17 de novembro, volta o prazo de 30 dias e cada passagem não paga pode virar multa grave. Para a carreta que roda todo dia por pórticos, a conta cresce rápido.

Carros e caminhões em via urbana movimentada
Trânsito de carros e caminhões: no free flow, a passagem é registrada por câmeras e o pagamento fica por conta do usuário. Foto: Richard Lu / Unsplash

O caso: uma carreta de 6 eixos passou 10 vezes por pórticos de free flow nos últimos meses e o motorista não pagou nenhuma das tarifas, de R$ 48,00 cada (valor de exemplo). A transportadora quer saber se ainda dá tempo de evitar as multas.

Resposta curta: dá, até 16 de novembro de 2026. Quitando as tarifas até lá, a empresa paga R$ 480,00 e os processos de multa são cancelados. Se deixar para depois, cada passagem em aberto pode gerar multa grave de R$ 195,23 e 5 pontos: o mesmo lote passaria a custar R$ 2.432,30 e somar 50 pontos.

1. O que o Contran decidiu

O free flow é a cobrança de pedágio sem praça nem cancela: pórticos com câmeras e antenas registram a placa ou a tag, e quem não tem tag paga depois, pelo canal da concessionária. A falta de pagamento é infração do art. 209-A do Código de Trânsito, incluído pela Lei 14.157/2021: natureza grave, penalidade de multa.

Com reclamações de motoristas que não sabiam que tinham passado por um pórtico, o Conselho Nacional de Trânsito criou um regime de transição pela Deliberação 277, publicada no Diário Oficial em 29 de abril de 2026. Em 25 de agosto saiu a Resolução Contran 1.028, que aprova a deliberação pelo colegiado e repete as regras. O Ministério dos Transportes fixou as datas:

Período Regra
Até 16/11/2026 Pedágio continua obrigatório, mas não se lavram autos, não se expedem notificações e não há pontos por falta de pagamento
Até 16/11/2026 Quem paga a tarifa, inclusive de passagens anteriores a abril, tem o processo de infração cancelado
A partir de 17/11/2026 Volta a regra ordinária: 30 dias para pagar, contados do processamento da passagem
Depois de 16/11, com tarifa em aberto Os processos seguem, com autuação, multa e pontos; o prazo de 30 dias para notificar começa no dia seguinte ao fim da transição

A transição não é gratuidade. A tarifa continua devida; o que fica suspenso é a punição. Segundo o ministério, até agosto 1.324.797 multas já tinham sido canceladas depois que os usuários quitaram as tarifas.

2. Quanto custa deixar para depois

A multa grave do CTB vale R$ 195,23 e soma 5 pontos no prontuário. Na tabela, a tarifa de R$ 48,00 por passagem é um valor de exemplo para uma carreta de 6 eixos; a tarifa real varia por concessionária, trecho e categoria do veículo.

Passagens em aberto Pagando até 16/11 Multas se ficar em aberto Total depois Pontos
1 R$ 48,00 R$ 195,23 R$ 243,23 5
4 R$ 192,00 R$ 780,92 R$ 972,92 20
10 R$ 480,00 R$ 1.952,30 R$ 2.432,30 50
25 R$ 1.200,00 R$ 4.880,75 R$ 6.080,75 125
60 R$ 2.880,00 R$ 11.713,80 R$ 14.593,80 300

Com a multa, cada passagem esquecida passa a custar 5,1 vezes a tarifa do exemplo. Os pontos pesam mais que o dinheiro para quem vive do volante: o motorista que exerce atividade remunerada tem o direito de dirigir suspenso ao chegar a 40 pontos em 12 meses, o que no exemplo acontece com 8 passagens não pagas.

Pagando até 16/11R$ 480,00Tarifa + multas depoisR$ 2.432,30
Figura 1. Carreta com 10 passagens de free flow em aberto: custo de quitar na transição e de deixar virar multa (tarifa de R$ 48 por passagem, valor de exemplo).
Cavalo mecânico azul e branco parado ao lado de um campo
Figura 2. Carreta parada: a transição do Contran cancela multas de quem quitar as tarifas pendentes até 16 de novembro. Foto: Joshua Hicks / Unsplash

3. A conta de uma rota diária

Uma carreta que cruza um pórtico na ida e outro na volta, 22 dias por mês, faz 44 passagens mensais. Com a tarifa de exemplo, são R$ 2.112,00 de pedágio por mês. Se a empresa não tiver rotina de conferência e tudo ficar em aberto, a partir de 17 de novembro o risco mensal passa a ser de R$ 8.590,12 só em multas, além das próprias tarifas.

04.0008.00012.00016.00020.0000102030405060Passagens em abertoR$Um mês de rota diáriaCom multaPagando no prazo
Figura 3. Custo acumulado das passagens de free flow com e sem multa grave (tarifa de R$ 48 por passagem, valor de exemplo).

Para quem tem tag de pagamento automático, a cobrança cai na conta da operadora da tag e o risco é menor, desde que o cadastro esteja em dia e a tag ativa. O problema aparece com veículo sem tag, tag bloqueada por saldo ou placa trocada no cadastro.

4. Como conferir e pagar

Checklist para a frota: listar as placas de todos os cavalos e implementos; consultar cada uma no app ou nos canais das concessionárias; pagar o que estiver em aberto até 16/11; e criar uma conferência semanal das passagens a partir de 17/11, porque o prazo volta a ser de 30 dias.

Perguntas frequentes

Até quando posso pagar o pedágio free flow atrasado sem multa?

Até 16 de novembro de 2026. Pagando até essa data, o processo de infração é cancelado, inclusive para passagens anteriores a abril de 2026.

O que muda em 17 de novembro?

Volta a regra da Resolução Contran 1.013: o usuário tem 30 dias, contados do processamento da passagem, para pagar. Depois disso, cabe multa grave de R$ 195,23 e 5 pontos por passagem.

Já paguei uma multa de free flow. Tenho direito à devolução?

Pode pedir ao órgão que aplicou a multa, desde que pague a tarifa da passagem até 16 de novembro. Sem a tarifa quitada no prazo, não há restituição.

Quanto custa deixar 25 passagens em aberto?

No exemplo, R$ 1.200,00 de tarifa pagando até 16/11. Depois, R$ 6.080,75 somando as multas, e 125 pontos.

O aplicativo CNH do Brasil cobra a tarifa?

Não. Ele só mostra as passagens e indica o canal de pagamento da concessionária.

Para estimar o peso do pedágio no custo da sua viagem, use a calculadora de pedágios.

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Fontes e referências

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