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Leis e regulamentação

Mercosul multa carga perigosa a partir de 16/11

A ANTT informou que os países do Mercosul começam em 16 de novembro a aplicar, de forma progressiva, as multas do acordo de cargas perigosas no transporte rodoviário. A conta mostra cada faixa em reais e quanto custa uma licença suspensa.

Caminhão-tanque rodando numa estrada de pista simples, com montanhas ao fundo
Nas rotas internacionais, cada erro de rótulo, kit ou documento na carga perigosa passa a ter multa em dólar. Foto: Alireza Hashemi / Unsplash

O caso: uma transportadora de Paulínia (SP) leva produto químico em carreta-tanque até a fronteira de Uruguaiana (RS), cerca de 1.300 km, e segue para a Argentina. A partir de 16 de novembro, a fiscalização do Mercosul começa a aplicar multas na parte rodoviária do acordo de cargas perigosas. Quanto custa um erro de documento, de rótulo ou de equipamento?

Resposta curta: as multas do acordo são fixadas em dólar: US$ 200, US$ 1.000 ou US$ 2.000 por infração, pagas em moeda local. Com o dólar a R$ 5,48, isso dá R$ 1.096,00, R$ 5.480,00 e R$ 10.960,00. Uma multa da faixa do meio já equivale a 133% do diesel da ida até a fronteira. O risco maior é a suspensão da licença, de 30 a 180 dias, com o caminhão parado e o custo fixo correndo.

O que foi decidido

A ANTT informou em 3 de novembro de 2026 o resultado da LXX Reunião Ordinária do Subgrupo de Trabalho nº 5 (Transporte) do Mercosul, feita em 29 e 30 de outubro em Montevidéu, com Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e o Chile como Estado Associado.

O ponto que mexe no bolso de quem cruza a fronteira com carga perigosa é o calendário comum de fiscalização. Segundo a agência, a partir de 16 de novembro de 2026 começa a aplicação progressiva das multas da Seção III da Decisão CMC nº 15/19, a parte do transporte rodoviário. As demais disposições seguem com fiscalização educativa até 30 de junho de 2027.

A Decisão CMC nº 15/19 aprovou o Acordo para a Facilitação do Transporte de Mercadorias Perigosas no Mercosul, assinado em 4 de dezembro de 2019, em Bento Gonçalves (RS). O texto segue o modelo da ONU e as regras europeias ADR e RID, e substituiu decisões antigas do bloco sobre o tema.

A reunião tratou ainda de outros três temas:

Tema O que ficou acertado Próxima data
Multas de cargas perigosas (rodoviário) Aplicação progressiva da Seção III da Decisão CMC 15/19 A partir de 16/11/2026
Demais regras do acordo Fiscalização educativa Até 30/06/2027
Pesos e dimensões (Res. GMC 65/08) Proposta brasileira avançou Reunião virtual em 13/11/2026
Webservice de cargas Brasil–Argentina Fase final de testes-piloto Reunião prevista para 3/11
Carga útil convencional (Res. GMC 02/26) Já incorporada por Argentina, Brasil e Paraguai Uruguai em andamento

A nota da ANTT não detalha o que significa "progressiva", ou seja, quais infrações passam a ser multadas primeiro. Até a publicação de um cronograma oficial, a leitura prudente é tratar todas as multas da parte rodoviária como possíveis a partir de 16/11.

Quanto vale cada multa em reais

O acordo agrupa as infrações do transporte rodoviário em três faixas de valor, em dólar, e manda cobrar em moeda local. A conversão abaixo usa R$ 5,48, a cotação de referência do Banco Central em 4 de novembro.

Faixa Em dólar Em reais Exemplos de infração no acordo
Mais alta US$ 2.000 R$ 10.960,00 Levar mercadoria sem autorização ou com entrada proibida; usar embalagem de produto perigoso para alimento ou remédio
Intermediária US$ 1.000 R$ 5.480,00 Veículo sem condições técnicas; faltar certificado de inspeção; rótulo ou painel errado ou ausente; faltar kit de emergência ou EPI; misturar produtos incompatíveis; motorista não habilitado
Mais baixa US$ 200 R$ 1.096,00 Faltar extintor; carga mal arrumada; embalagem sem marcação; documento ausente ou incompleto; desrespeitar restrição de rota ou de estacionamento; motorista sem certificado de capacitação
US$ 200R$ 1.096US$ 1.000R$ 5.480US$ 2.000R$ 10.960
Figura 1. Valor das três faixas de multa do acordo de cargas perigosas do Mercosul, convertido com o dólar a R$ 5,48.

Como a multa é em dólar, o valor em reais muda com o câmbio: cada R$ 0,10 a mais no dólar soma R$ 100 na multa intermediária.

Para dar a medida: a multa intermediária compra cerca de 795 litros de diesel S10 ao preço médio de Porto Alegre (R$ 6,89/l na pesquisa da ANP de 25 a 31 de outubro). Na ida de Paulínia até Uruguaiana, com 2,3 km/l e diesel a R$ 7,27 (média de São Paulo na mesma pesquisa), o caminhão queima 565 litros, ou R$ 4.109,13. Uma única autuação de US$ 1.000 equivale a 133% desse diesel.

Caminhão numa rodovia larga, com semáforos e postes de iluminação
Figura 2. Com a licença suspensa, o caminhão sai da rota internacional, mas a parcela e o seguro continuam. Foto: Jay Openiano / Unsplash

O risco que pesa mais: a licença suspensa

A multa é a parte menor da conta. O acordo também prevê suspensão da permissão de 30 a 180 dias e cassação em caso de reincidência. A empresa cassada fica um ano sem poder pedir nova habilitação.

A reincidência é contada por peso: uma infração grave equivale a cinco leves, e uma muito grave, a vinte leves. Por isso, autuações pequenas e repetidas na mesma frota podem levar à suspensão.

Com a licença suspensa, o caminhão dedicado à rota internacional não roda para fora do país, mas a parcela, o seguro, o salário e os encargos do motorista continuam. Com as premissas abaixo, o custo fixo de uma carreta é de R$ 2,23 por km, ou cerca de R$ 20.050,00 por mês.

Premissa da redação Valor
Rodagem mensal 9.000 km
Parcela do conjunto R$ 9.000 por mês
Seguros R$ 1.500 por mês
IPVA e licenciamento R$ 6.000 por ano
Salário do motorista e encargos R$ 5.000 + 60%
Rastreador e outros fixos R$ 1.050 por mês
Tempo de suspensão Custo fixo com o caminhão fora da rota
30 dias R$ 20.050,00
90 dias R$ 60.150,00
180 dias R$ 120.300,00
030.00060.00090.000120.000150.0000306090120150180Dias de suspensãoR$Custo fixo acumulado
Figura 3. Custo fixo de uma carreta parada para a rota internacional, com as premissas da redação.

Na prática, a transportadora pode deslocar o caminhão para fretes nacionais durante a suspensão, o que reduz a perda. Mesmo assim, perder a rota por seis meses representa R$ 120.300 de custo fixo que precisa ser coberto por outro serviço.

Quem responde pela multa

O acordo põe a maior parte das obrigações no transportador, mas não só nele. O expedidor também responde, e as sanções para ele seguem a mesma tabela. Quando há subcontratação, quem contratou deve verificar se o subcontratado cumpre as regras. E o transportador que aceita embalagem violada ou deteriorada passa a responder junto com o expedidor.

Para o caminhoneiro autônomo que roda subcontratado para uma transportadora habilitada no internacional, isso significa que a conferência da carga na hora de carregar continua sendo dele.

Checklist antes de cruzar a fronteira

Erros comuns

Perguntas frequentes

A partir de quando o Mercosul multa cargas perigosas?

Segundo a ANTT, a aplicação progressiva das multas da parte rodoviária da Decisão CMC nº 15/19 começa em 16 de novembro de 2026. As demais regras do acordo seguem em fiscalização educativa até 30 de junho de 2027.

Quanto é a multa em reais?

O acordo fixa US$ 200, US$ 1.000 ou US$ 2.000 por infração, pagos em moeda local. Com o dólar a R$ 5,48, isso dá R$ 1.096,00, R$ 5.480,00 e R$ 10.960,00. Use a calculadora de cotação do dólar para refazer a conta no dia.

A regra vale para o frete dentro do Brasil?

A decisão comunicada pela ANTT trata do transporte rodoviário internacional entre os países do bloco. Dentro do Brasil, o transporte de produtos perigosos segue a regulamentação nacional da ANTT.

Além da multa, o que pode acontecer?

O acordo prevê suspensão da permissão de 30 a 180 dias e cassação por reincidência. Quem tem a permissão cassada fica um ano sem poder pedir outra.

O que muda em pesos e dimensões?

Ainda nada em vigor. A proposta brasileira para revisar a Resolução GMC nº 65/08 avançou, e uma reunião virtual em 13 de novembro deve fechar o texto.

O embarcador também pode ser multado?

Sim. O acordo atribui responsabilidade ao expedidor e aplica a ele a mesma tabela de multas do transportador.

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Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

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