M▪MOVENDOBRASILPARA QUEM MOVE O PAÍS
Tributos e reajustes

Pedágio da ViaSul subiu duas vezes: tabela por eixo

Em dois meses, as sete praças da ViaSul na BR-386, na Freeway (BR-290) e na BR-101 gaúcha tiveram duas atualizações autorizadas pela ANTT. A carreta de 6 eixos paga hoje R$ 41,40 por praça. Calculamos o efeito no corredor de grãos da BR-386.

Três cavalos mecânicos estacionados diante de um galpão rural
Caminhões na fazenda: a BR-386 é a principal saída dos grãos do norte gaúcho rumo à Região Metropolitana e ao porto. Foto: Roger Starnes Sr / Unsplash

O caso: um caminhoneiro de Carazinho leva soja com bitrem de 7 eixos pela BR-386 até a Região Metropolitana de Porto Alegre, passando pelas quatro praças da ViaSul na rodovia: Victor Graeff, Fontoura Xavier, Paverama e Montenegro. Ele viu o valor da praça mudar duas vezes desde junho e quer saber quanto paga agora.

Resposta curta: a tarifa básica passou a R$ 6,60 em 26 de junho e a R$ 6,90 em 24 de agosto de 2026. Cobrando uma tarifa básica por eixo, o bitrem paga R$ 48,30 por praça e R$ 193,20 nas quatro praças da BR-386, R$ 8,40 a mais que entre junho e agosto. Na carreta de 6 eixos, a tabela oficial dá R$ 41,40 por praça.

Duas atualizações em dois meses

A ViaSul, concessionária do grupo Motiva que administra trechos da BR-101, da BR-290 (Freeway) e da BR-386 no Rio Grande do Sul, aplicou duas mudanças de tarifa autorizadas pela ANTT e publicadas no Diário Oficial da União:

Vigência Tarifa básica (categoria 1) O que a concessionária informou
Desde 0h de 26/06/2026 R$ 6,60 Atualização do período de fevereiro de 2024, data do último reajuste, a agosto de 2025, com IPCA, reequilíbrios contratuais e outros parâmetros
Desde 0h de 24/08/2026 R$ 6,90 Reajuste anual previsto no contrato, com IPCA, reequilíbrios e parâmetros da regulação

A segunda alta é de 4,55% sobre a primeira. A concessionária não divulgou a tarifa anterior a junho nem o número dos atos da ANTT. As sete praças cobram o mesmo valor: Três Cachoeiras (BR-101, km 35), Santo Antônio da Patrulha (BR-290, km 19), Gravataí (BR-290, km 60), Victor Graeff (BR-386, km 204), Fontoura Xavier (BR-386, km 261), Paverama (BR-386, km 374) e Montenegro (BR-386, km 426).

A tabela por categoria

Diferentemente de muitas concessionárias, a ViaSul publica a tabela inteira com os multiplicadores. Para caminhão, o multiplicador é igual ao número de eixos:

Categoria Multiplicador Junho a agosto Desde 24/08 Diferença
2 – caminhão leve, 2 eixos 2,0 R$ 13,20 R$ 13,80 R$ 0,60
4 – caminhão, 3 eixos 3,0 R$ 19,80 R$ 20,70 R$ 0,90
6 – 4 eixos, rodagem dupla 4,0 R$ 26,40 R$ 27,60 R$ 1,20
7 – 5 eixos 5,0 R$ 33,00 R$ 34,50 R$ 1,50
8 – 6 eixos 6,0 R$ 39,60 R$ 41,40 R$ 1,80

A tabela termina na categoria 8, de 6 eixos. Para bitrem de 7 eixos e rodotrem de 9, as contas deste texto seguem a mesma lógica de uma tarifa básica por eixo (R$ 48,30 e R$ 62,10 por praça); confirme na praça ou no extrato da tag.

Para quem faz frete leve, a tabela também separa as caminhonetes com reboque, que pagam por eixo em meia tarifa por ter rodagem simples: categoria 3 (3 eixos), R$ 10,35, e categoria 5 (4 eixos), R$ 13,80. O que define a categoria do caminhão é a rodagem dupla: um caminhão leve de 2 eixos com rodagem dupla já paga o dobro do automóvel, R$ 13,80. Motos pagam meia tarifa, R$ 3,45.

caminhão leve, 2 eixosR$ 13,80caminhão, 3 eixosR$ 20,704 eixos, rodagem duplaR$ 27,605 eixosR$ 34,506 eixosR$ 41,40
Figura 1. Tarifa por praça nas sete praças da ViaSul (BR-101, BR-290 e BR-386) desde 24 de agosto de 2026, por categoria de caminhão.
Caminhão numa rodovia ao pôr do sol
Figura 2. Caminhão na rodovia: nas praças da ViaSul, a carreta de 6 eixos paga seis vezes a tarifa básica. Foto: Рома Морозов / Unsplash

O corredor da BR-386

Entre Victor Graeff (km 204) e Montenegro (km 426) são cerca de 222 km e quatro praças. Considerando uma passagem por praça em cada sentido:

Veículo Eixos Junho a agosto Desde 24/08 Ida e volta vazia (eixos suspensos)
Truck 3 R$ 79,20 R$ 82,80 R$ 138,00
Carreta 6 R$ 158,40 R$ 165,60 R$ 276,00
Bitrem 7 R$ 184,80 R$ 193,20 R$ 331,20
Rodotrem 9 R$ 237,60 R$ 248,40 R$ 441,60

Na última coluna, a volta vazia paga só os eixos no chão, com a isenção dos eixos suspensos do art. 17 da Lei 13.103/2015 (presumimos um eixo suspenso no truck e dois nas composições).

Para o bitrem do caso, a 2,3 km/l e com diesel a R$ 7,35 o litro (valor de exemplo), a ida consome R$ 709,43 de combustível. Com R$ 193,20 de pedágio, a despesa direta é de R$ 902,63, e o pedágio responde por 21,4%. É R$ 0,87 de pedágio por km rodado.

Diesel da idaR$ 709,43Pedágio da idaR$ 193,20Alta de agostoR$ 8,40
Figura 3. Bitrem de 7 eixos entre Victor Graeff e Montenegro pela BR-386 (cerca de 222 km), com 2,3 km/l e diesel a R$ 7,35/l como exemplo, e tarifa de R$ 6,90 por eixo.

Na safra, ao longo do mês

Um bitrem que faz 12 viagens redondas por mês no corredor, voltando vazio com dois eixos suspensos, paga R$ 3.974,40 de pedágio no mês desde 24 de agosto, contra R$ 3.801,60 com a tarifa de junho: R$ 172,80 a mais. A ida carregada deve vir antecipada pelo embarcador no Vale-Pedágio obrigatório, fora do frete (Lei 10.209/2001); a volta vazia fica com o transportador.

O que conferir

Perguntas frequentes

Qual é a tarifa de pedágio da ViaSul desde 24 de agosto de 2026?

R$ 6,90 para automóvel em todas as sete praças.

Quanto paga uma carreta de 6 eixos?

R$ 41,40 por praça, categoria 8 da tabela. Entre junho e agosto eram R$ 39,60.

E um caminhão truck de 3 eixos?

R$ 20,70 por praça, categoria 4.

Por que houve dois reajustes seguidos?

A atualização de junho cobriu o período de fevereiro de 2024, data do último reajuste, a agosto de 2025. A de agosto é o reajuste anual previsto no contrato. Ambas foram autorizadas pela ANTT.

Quanto custa a BR-386 inteira da ViaSul para um rodotrem?

Pelas quatro praças, R$ 248,40 por sentido carregado, cobrando uma tarifa básica por eixo.

Para somar as praças da sua rota por categoria, use a calculadora de pedágios.

Faça a conta: Rotas e pedágios →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

Leia também