M▪MOVENDOBRASILPARA QUEM MOVE O PAÍS
Economia do setor

PISTA: ANP vai cruzar notas fiscais de combustível

A ANP concluiu em 7 de outubro as assinaturas de um acordo com as secretarias de Fazenda de 22 estados e do Distrito Federal para acessar documentos fiscais eletrônicos de distribuidoras, postos e outros agentes. É a primeira etapa da PISTA, plataforma que promete acompanhar preços, volumes e movimentações do diesel da refinaria à bomba.

Tela de computador com painel de dados e gráficos
Painel de dados: a PISTA quer reunir preços, volumes e movimentações de todo o abastecimento a partir das notas fiscais eletrônicas. Foto: Stephen Dawson / Unsplash

O caso: uma transportadora com cinco carretas compra diesel em postos de rodovia e em um TRR e já teve problema com nota fiscal de volume diferente do abastecido. O gestor leu que a ANP vai ter acesso a notas fiscais do setor e quer saber o que muda, quando e se isso mexe no preço que ele paga.

Resposta curta: o Acordo de Cooperação Técnica nº 17/2026 permite à ANP acessar documentos fiscais eletrônicos emitidos ou recebidos por agentes regulados que autorizarem o acesso; uma resolução, com consulta prevista para novembro e publicação para março de 2027, deve tornar a autorização obrigatória. O efeito esperado é mais fiscalização remota contra adulteração e venda irregular, não mudança direta de preço. Para dimensionar o que está em jogo: numa frota de cinco carretas que consome 20.000 litros por mês, cada 1% pago a mais no diesel custa R$ 1.470 por mês.

O que foi assinado

A ANP celebrou o ACT nº 17/2026 com as secretarias de Fazenda, Economia ou Finanças de 22 estados e do Distrito Federal, com intermediação do Confaz. A minuta foi aprovada na 422ª Reunião Extraordinária do Confaz, em 6 de abril de 2026; a diretoria da ANP autorizou a assinatura pela Decisão de Diretoria nº 292/2026; e a coleta de assinaturas terminou em 7 de outubro. O acordo vale por dez anos.

Assinaram: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins, além do Distrito Federal. Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo não aparecem na lista divulgada pela agência.

Data Etapa
06/04/2026 Confaz aprova a minuta do acordo
Data não informada Diretoria da ANP autoriza a assinatura (Decisão nº 292/2026)
07/10/2026 Concluída a coleta de assinaturas
09/10/2026 ANP divulga o acordo
Novembro de 2026 (previsto) Consulta pública da resolução que torna obrigatória a autorização de acesso
Março de 2027 (previsto) Publicação da norma

O acordo sozinho não obriga ninguém: a ANP só acessa os documentos de quem autorizar. Por isso a segunda frente é regulatória. A terceira, operacional, prevê os sistemas para obter, guardar e tratar os dados.

Quem entra e para quê

Os documentos fiscais eletrônicos que a ANP poderá consultar são os emitidos ou recebidos por agentes regulados do abastecimento: revendedores e distribuidores de combustíveis e de GLP, importadores e exportadores, produtores de biocombustíveis, refinarias e outros. A plataforma, chamada PISTA (Plataforma Integrada de Supervisão e Transparência do Abastecimento de Combustíveis), tem quatro finalidades declaradas:

  1. ampliar a abrangência, a frequência e a confiabilidade das informações da agência;
  2. identificar indícios de práticas anticompetitivas;
  3. reforçar a fiscalização, permitindo verificar à distância suspeitas de adulteração, comercialização irregular e outras infrações;
  4. monitorar os fluxos de abastecimento e identificar riscos de falta de produto.

A PISTA nasce do Projeto de Transparência de Preços na Revenda, de 2010, e amplia o escopo: em vez de olhar só o preço no posto, quer acompanhar preços, volumes e movimentações em toda a cadeia.

Monitor exibindo tabelas e números
Figura 1. Notas fiscais eletrônicas dos agentes do setor passarão a abastecer a supervisão remota da ANP, se a norma for aprovada. Foto: 1981 Digital / Unsplash

Por que isso interessa a quem compra diesel

Hoje a fiscalização da ANP é, em grande parte, presencial. Na semana de 28 de setembro a 2 de outubro, por exemplo, equipes visitaram agentes em 18 unidades da Federação, coletando amostras e lavrando autos. Com as notas fiscais, a agência pode cruzar o que cada distribuidora comprou com o que vendeu, e o que cada posto recebeu com o que diz ter vendido, sem precisar estar no local. É o tipo de cruzamento que expõe combustível "sem origem" e volumes que não fecham.

Para o transportador, o ganho é indireto: menos espaço para combustível irregular e mais informação sobre preços e concorrência. O que está em jogo pode ser medido. A tabela mostra quanto custa pagar um pouco acima do preço justo, com o S10 a R$ 7,35 (média ANP de 27/09 a 03/10), para uma carreta e para a frota de cinco:

Pago a mais (exemplo) Por litro Carreta (4.000 l/mês) Frota de 5 carretas, por mês Frota, por ano
0,5% R$ 0,037 R$ 147 R$ 735 R$ 8.820
1% R$ 0,073 R$ 294 R$ 1.470 R$ 17.640
2% R$ 0,147 R$ 588 R$ 2.940 R$ 35.280
3% R$ 0,220 R$ 882 R$ 4.410 R$ 52.920
0,5% a maisR$ 8.8201,0% a maisR$ 17.6402,0% a maisR$ 35.2803,0% a maisR$ 52.920
Figura 2. Custo anual, para uma frota de cinco carretas que consome 20 mil litros por mês, de pagar o diesel acima do preço justo. S10 a R$ 7,35 (média ANP, 27/09 a 03/10/2026); percentuais de exemplo.

O peso cresce com o tamanho da operação. Para quem tem uma ou duas carretas, 1% a mais é uma despesa que passa despercebida; para frotas maiores, vira um item de orçamento:

04.0008.00012.00016.00020.000051015202530Número de carretas (4.000 litros por mês cada)R$ por mês2% pago a mais1% pago a mais
Figura 3. Custo mensal de pagar o diesel 1% ou 2% acima do preço justo, conforme o tamanho da frota. S10 a R$ 7,35 (média ANP, 27/09 a 03/10/2026); percentuais de exemplo.

O que não muda agora

Checklist para o comprador de diesel

Perguntas frequentes

O que é a PISTA da ANP?

É a Plataforma Integrada de Supervisão e Transparência do Abastecimento de Combustíveis, que deve reunir dados de preços, volumes e movimentações a partir de documentos fiscais eletrônicos.

Quais estados assinaram?

22 estados e o Distrito Federal. Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo não aparecem na lista divulgada pela ANP.

O acordo já obriga postos e distribuidoras?

Não. A ANP só acessa os documentos de quem autorizar. A obrigação depende de uma resolução prevista para março de 2027.

Isso vai baixar o preço do diesel?

A ANP não fala em efeito de preço. O foco é identificar práticas anticompetitivas e fraudes. No exemplo, cada 1% a menos pago pela frota de cinco carretas vale R$ 17.640 por ano.

Por quanto tempo vale o acordo?

Dez anos, segundo a ANP. As assinaturas foram concluídas em 7 de outubro de 2026.

Para ver quanto alguns centavos por litro mudam o custo por quilômetro da sua frota, use a calculadora de custo por km.

Faça a conta: Custo por km →

Fontes e referências

Conferimos datas, valores e vigência nas fontes acima antes de publicar. Erros e atualizações: veja a política editorial.

Leia também