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Safra de 352,9 milhões de t: quantas viagens de frete

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto, divulgado pelo IBGE em 15 de setembro, estima a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2026 em 352,9 milhões de toneladas, 2,0% acima de 2025. Traduzimos as toneladas em viagens de bitrem e rodotrem e em frete por tonelada.

Caminhão verde em lavoura colhida sob céu azul
Caminhão na lavoura: cada milhão de toneladas a mais de grãos exige dezenas de milhares de viagens. Foto: James Baltz / Unsplash

O caso: um autônomo com bitrem de 7 eixos no norte de Mato Grosso recebe proposta de R$ 250 por tonelada para levar soja até um porto a cerca de 1.100 km (distância aproximada, de exemplo). Ele quer saber se a safra grande sustenta um preço melhor e se a proposta respeita o piso.

Resposta curta: o IBGE estima a safra de 2026 em 352,9 milhões de toneladas, 6,8 milhões acima de 2025, com soja recorde de 174,8 milhões. Só esse acréscimo equivale a cerca de 183.784 viagens de bitrem com 37 t. Mas a proposta não fecha: o piso da ANTT para 1.100 km em 7 eixos é de R$ 9.875,10, ou R$ 266,89 por tonelada; a R$ 250/t, o frete fica R$ 625,10 abaixo do piso.

O que o IBGE estimou

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de agosto projeta 352,9 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, alta de 2,0% sobre os 346,1 milhões de 2025. A área colhida soma 83,1 milhões de hectares, 1,8% a mais. Em relação à estimativa de julho, a mudança foi mínima, de 81 mil toneladas a menos.

O IBGE classifica a produção de soja e a de milho de 2026 como recordes da série histórica. A soja ganhou 8,7 milhões de toneladas; o milho total ficou praticamente estável, com primeira safra maior e segunda safra menor que a de 2025, que tinha sido recorde.

Cultura Produção 2026 (milhões de t) Variação sobre 2025 Viagens de bitrem (37 t)
Soja 174,8 5,3% 4.724.324
Milho total 141,8 0,1% 3.832.432
Milho 1ª safra 29,7 15,5% 802.703
Milho 2ª safra 112,1 -3,4% 3.029.730
Arroz 11,2 -11,2% 302.703
Algodão (caroço) 9,2 -6,7% 248.649
Trigo 6,3 -18,9% 170.270
Sorgo 5,8 8,1% 156.757
Feijão 2,8 -6,6% 75.676

A coluna de viagens é uma conta de ordem de grandeza: divide toda a produção pela carga líquida de um bitrem de 7 eixos (premissa de 37 t). Nem todo grão sai da fazenda direto para longa distância; parte vai para armazéns, indústrias e esmagadoras próximas, e parte segue por ferrovia ou hidrovia depois do primeiro trecho de caminhão. Mas quase toda tonelada começa a viagem em cima de um caminhão.

Centro-Oeste178,0 mi tSul91,8 mi tSudeste31,1 mi tNordeste29,8 mi tNorte22,3 mi t
Figura 1. Produção de grãos estimada para 2026 por região, em milhões de toneladas. Fonte: IBGE, LSPA de agosto de 2026.

Onde está a carga

O Centro-Oeste concentra 50,4% da produção, com 178,0 milhões de toneladas, apesar de recuo de 0,4% sobre 2025. O Sul é a região que mais cresce (+6,3%), seguido do Nordeste (+7,3%). Mato Grosso sozinho responde por 32,1% da safra nacional e colhe 50,7 milhões de toneladas de soja, 29,0% do total do país. Paraná (13,4%), Rio Grande do Sul (10,5%), Goiás (9,6%) e Mato Grosso do Sul (8,5%) completam a lista dos maiores.

Para o transporte, isso quer dizer rotas longas. A soja e o milho de Mato Grosso percorrem mais de mil quilômetros até os portos do Norte ou do Sudeste, e é nessa distância que o custo do diesel e o piso da ANTT mais pesam.

Colheitadeira trabalhando em lavoura de grãos
Figura 2. Colheitadeira em ação: o IBGE estima safra de 352,9 milhões de toneladas em 2026. Foto: Jakub Brabec / Unsplash

A conta do frete por tonelada

O piso mínimo da ANTT para granel sólido, numa viagem de 1.100 km (aproximada, de exemplo), comparado com a proposta de R$ 250 por tonelada:

Composição Carga líquida (premissa) Piso da viagem Piso por tonelada Frete a R$ 250/t Diferença para o piso
Bitrem, 7 eixos 37 t R$ 9.875,10 R$ 266,89 R$ 9.250,00 −R$ 625,10
Rodotrem, 9 eixos 48 t R$ 11.283,89 R$ 235,08 R$ 12.000,00 +R$ 716,11

O mesmo preço por tonelada pode estar abaixo do piso no bitrem e acima no rodotrem, porque o rodotrem leva mais carga por viagem e seu piso por tonelada é menor. Em tonelada-quilômetro, R$ 250/t em 1.100 km equivale a R$ 0,2273 por t·km.

Do lado do custo, a ida carregada e a volta vazia somam 2.200 km. A 2,4 km/l (média de ida carregada e volta vazia, valor de exemplo) e diesel S10 a R$ 7,35/l (média da ANP na semana de 27/9 a 3/10), o bitrem gasta 917 litros, ou R$ 6.738 por viagem redonda, 68% do piso da ida.

08016024032040002505007501.0001.2501.500Distância (km)Piso por tonelada (R$)Bitrem 7 eixosRodotrem 9 eixos
Figura 3. Piso mínimo da ANTT para granel sólido convertido em reais por tonelada, com 37 t no bitrem e 48 t no rodotrem (premissas de carga líquida).

O que conferir antes de aceitar a carga

Perguntas frequentes

Qual é a previsão da safra de 2026?

352,9 milhões de toneladas de grãos, 2,0% acima de 2025, segundo o LSPA de agosto do IBGE. A próxima estimativa sai em 15 de outubro.

A soja é recorde?

Sim. O IBGE estima 174,8 milhões de toneladas, alta de 5,3%, e classifica o número como novo recorde da série histórica.

Quantas viagens de caminhão a safra exige?

Dividindo 352,9 milhões de toneladas por 37 t, seriam cerca de 9,5 milhões de viagens de bitrem, numa conta de ordem de grandeza que ignora armazenagem e outros modais.

R$ 250 por tonelada está acima do piso?

Depende da composição e da distância. Em 1.100 km, fica abaixo do piso no bitrem de 7 eixos (R$ 266,89/t) e acima no rodotrem de 9 eixos (R$ 235,08/t), com as cargas líquidas de exemplo.

Safra maior garante frete mais alto?

Não automaticamente. Mais toneladas aumentam a procura por caminhões, mas o preço também depende da quantidade de frota disponível, da fila nos portos e do câmbio, que mexe no ritmo de exportação. O que não muda é o limite inferior: em 1.100 km, nenhuma proposta para bitrem de 7 eixos pode ficar abaixo de R$ 9.875,10 pela viagem.

Para converter o seu frete por tonelada e comparar com o piso, use a calculadora de frete por tonelada.

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Fontes e referências

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