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Leis e regulamentação

Caminhão usado: prazos da transferência eletrônica

Desde 18 de agosto de 2026, a Resolução Contran 1.027 rege o registro, o licenciamento e a transferência de veículos. Ela criou a transferência eletrônica e a eletrônica custodiada, em que o dinheiro fica retido até a transferência se concretizar, e manteve os prazos de 30 dias para o comprador e 60 dias para o vendedor. Na compra de um caminhão usado, esses prazos e os débitos pendentes valem dinheiro.

Vista aérea de caminhões estacionados em um pátio
Pátio de caminhões: na compra de um usado, o comprador tem 30 dias para registrar a transferência. Foto: DroneflyerNick / Unsplash

O caso: um autônomo vai comprar um cavalo mecânico usado por R$ 380.000 (valor de exemplo). Na consulta, aparecem IPVA do ano em aberto, quatro multas e o licenciamento atrasado. O vendedor diz que "a multa é dele" e pede o dinheiro na hora.

Resposta curta: pela Resolução Contran 1.027, o licenciamento só sai com tributos e multas quitados, independentemente de quem cometeu a infração. Os débitos do exemplo somam R$ 6.764,09 e travam o caminhão do comprador até serem pagos. Na transferência eletrônica custodiada, prevista na norma, o pagamento fica retido e a quitação dos débitos pode ser integrada à operação.

1. O que a resolução mudou

O Contran aprovou a Resolução 1.027 em 17 de agosto de 2026, publicada em edição extra do Diário Oficial no dia 18 e em vigor desde então. Ela revogou as Resoluções 809/2020, 817/2021 e 999/2023 e reuniu num só texto registro, licenciamento e transferência. Os órgãos de trânsito têm 90 dias, até meados de novembro, para se adequar (art. 58).

As novidades práticas:

Segundo o Ministério dos Transportes, a Senatran prepara a transferência entre pessoas físicas pelo aplicativo CNH do Brasil, ainda sem data de lançamento.

2. Os prazos de comprador e vendedor

Quem Prazo O que acontece se não cumprir
Comprador 30 dias para apresentar a ATPV ao Detran (art. 26, § 2º) Infração grave do art. 233 do CTB: R$ 195,23 e 5 pontos
Vendedor 60 dias para enviar cópia autenticada da ATPV, se o comprador não agir (art. 26, §§ 3º e 4º) Responde solidariamente pelas penalidades até registrar a comunicação de venda
Tabelionato (registro eletrônico) Mesmo dia do reconhecimento de firma; até 30 dias em falha sistêmica (art. 26, § 7º) Dispensa o vendedor dos §§ 2º a 4º
Órgãos de trânsito 90 dias para adequação (art. 58) Prazo administrativo
Comprador registra30 diasVendedor comunica60 diasAdequação dos Detrans90 dias
Figura 1. Prazos da Resolução Contran 1.027 na venda de um veículo, contados conforme cada artigo.

Para quem vende o caminhão, o risco é concreto: enquanto a comunicação de venda não estiver registrada, multas do novo dono podem cair no prontuário e no bolso do antigo. A comunicação de venda, porém, não muda por si só quem responde por tributos e multas anteriores (art. 30).

Pneu de caminhão em close, com uma árvore ao fundo
Figura 2. Antes de fechar negócio, confira débitos e restrições: o licenciamento exige multas quitadas, de quem quer que seja a infração. Foto: Tonmoy Iftekhar / Unsplash

3. A conta da compra

Débitos que o comprador encontra na consulta do exemplo, todos com valores ilustrativos, exceto as multas, que seguem a tabela do CTB:

Item Valor
IPVA do ano em aberto (1,5% de R$ 380.000, alíquota de exemplo) R$ 5.700,00
Multa média R$ 130,16
Duas multas graves R$ 390,46
Multa gravíssima R$ 293,47
Taxa de licenciamento (valor de exemplo; varia por estado) R$ 250,00
Total que trava o licenciamento R$ 6.764,09
IPVA em abertoR$ 5.700,00MultasR$ 814,09LicenciamentoR$ 250,00
Figura 3. Débitos do cavalo usado do exemplo que precisam ser quitados para licenciar o veículo (IPVA a 1,5% e taxa de licenciamento de exemplo; multas pelos valores do CTB).

Sem licenciamento, o caminhão não deveria rodar. Com custo fixo de R$ 17.900,00 por mês nas premissas de exemplo (parcela de R$ 8.000, seguro de R$ 1.500, IPVA e licenciamento de R$ 6.000 por ano, salário de R$ 4.500 com 70% de encargos e rastreador de R$ 250), cada dia parado esperando a regularização custa R$ 596,67. Dez dias de espera equivalem a R$ 5.966,67, mais que os débitos do exemplo.

Há ainda o risco de restrição: a comunicação de venda não é registrada se houver restrição administrativa, judicial ou cadastral impeditiva (art. 24), o que pode atrasar toda a operação. A saída é negociar o abatimento no preço ou usar a transferência custodiada, em que o dinheiro só é liberado ao vendedor quando os requisitos da transferência são cumpridos, com a quitação dos débitos integrada quando necessária.

4. Checklist de compra

Perguntas frequentes

Quantos dias o comprador tem para transferir o caminhão?

30 dias para apresentar a ATPV ao órgão de trânsito. Depois disso, a falta de registro é infração grave do art. 233 do CTB, de R$ 195,23.

O comprador precisa pagar multas do antigo dono para licenciar?

Para licenciar, sim: a Resolução 1.027 exige multas quitadas independentemente de quem as cometeu. Quem deve arcar com elas é assunto a negociar no contrato.

O que é a transferência eletrônica custodiada?

Uma modalidade em que o valor da venda fica em custódia e é liberado quando a transferência se concretiza, com quitação de débitos integrada e mecanismos de bloqueio e restituição.

O CRLV em papel ainda vale?

Sim, os emitidos antes continuam válidos. Novos certificados são só digitais.

Quanto custa esperar a regularização com o caminhão parado?

Com as premissas do texto, R$ 596,67 por dia de custo fixo, ou R$ 5.966,67 em dez dias.

Para calcular o custo fixo diário do seu caminhão, use a calculadora de custo por km.

Leia também: Vistoria de caminhão usado: um laudo só entre estados

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Fontes e referências

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